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O Combate ao Feminicídio no Brasil: Desafios e Avanços na Era da Lei Maria da Penha





Apesar dos avanços da Lei Maria da Penha, os alarmantes números de processos e casos de violência doméstica destacam a urgência de uma abordagem mais eficaz e abrangente para erradicar o feminicídio no Brasil.





Há 17anos, a Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006) representou um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. No entanto, apesar dos avanços conquistados, os desafios persistem, como evidenciado pelos alarmantes números de casos registados nos últimos anos.

Os Avanços da Lei Maria da Penha:

A Lei Maria da Penha desempenhou um papel crucial no rompimento do paradigma de tolerância à violência doméstica no país. Reconhecida internacionalmente, a legislação é considerada uma das mais avançadas do mundo pela ONU, abrangendo medidas protetivas de urgência e políticas de prevenção. Infelizmente, nem todas as medidas foram inovadoras, especialmente aquelas voltadas para a educação e reflexão do agressor, essenciais para desconstruir padrões de masculinidade.

O relatório “O Poder Judiciário na Aplicação da Lei Maria da Penha: ano 2022” revela a urgência do problema, com 640.867 processos de violência doméstica e feminicídio registrados em 2022. A média diária de 50 casos até setembro de 2023 reflete um aumento de 6,3% em relação ao ano anterior.

Medidas Protetivas e Novas Legislações:

A medida protetiva é uma ferramenta essencial garantida pela Lei Maria da Penha. Dados do CNJ indicam mais de 191 mil obrigações expedidas de janeiro a agosto de 2022. A Lei n.º 14.188/2021, sancionada em 2021, reforça a legislação ao criar o programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica e inclui o crime de violência psicológica no Código Penal.

Essa última lei destaca a importância de combater a violência psicológica, que pode se manifestar de diversas formas, como ameaças, constrangimento, humilhação e isolamento. Estabelecendo penas específicas, a legislação o arcabouço legal para punir agressores que causem danos psicológicos às mulheres.

Conscientização e Denúncia:

A conscientização é fundamental na luta contra a violência doméstica. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos disponibiliza informações sobre as cinco formas de violação, incentivando os cidadãos a denunciarem. No primeiro semestre de 2022, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos registrou 31.398 denúncias e 169.676 denúncias, abrangendo violência física, sexual, psicológica, moral e patrimonial.

No âmbito patrimonial, a violência inclui ações que prejudicam financeiramente a mulher, enquanto a violência moral desonra a vítima perante a sociedade. Esses aspectos ressaltam a importância de abordar todas as formas de violência para construir uma sociedade mais justa e igualitária.


O combate ao feminicídio no Brasil exige uma abordagem abrangente, desde a implementação eficaz das medidas protetivas até a conscientização da sociedade. Apesar dos avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha e das legislações subsequentes, os números preocupantes destacam a necessidade contínua de aprimoramento e implementação de políticas efetivas. Somente com esforços conjuntos de governo, a sociedade civil e as instituições possíveis alcançarão o fim da violência contra as mulheres e construirão um futuro mais seguro e igualitário.




Orientação para Mulheres: Rompa o Silêncio, Busque Ajuda e Denuncie







Priorize Sua Segurança:


Se estiver em perigo imediatamente, procure um seguro local.
Mantenha seu telefone celular sempre carregado e próximo para possíveis chamadas de emergência. 

Denúncia à Polícia:

Em situações de emergência, ligue para a Polícia Militar através do número 190.
Para denúncias de violência contra a mulher, ligue para o número nacional 180. 

Procure Apoio de Organizações Especializadas:

Entre em contato com organizações locais que oferecem suporte a vítimas de violência doméstica.
Considere procurar orientação em Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) ou Centros de Acolhimento. 

Fale com Amigos e Familiares Confiáveis:

Compartilhe sua situação com pessoas de confiança que possam oferecer apoio emocional e prático.
Crie uma rede de apoio para se sentir mais segura. 

Registrar Evidências:

Documente incidentes de violência de forma completa, registrando dados precisos, horários exatos e detalhes específicos. Capture imagens de lesões visíveis, danos materiais ou mensagens ameaçadoras, pois esses registros são fundamentais. Além disso, busque ajuda profissional imediatamente para garantir o apoio necessário e a orientação adequada.

Agende uma consulta médica para avaliar possíveis lesões e obter um relatório médico.
Consulte um profissional de saúde mental para lidar com o impacto emocional. 

Conheça seus Direitos:

Esteja ciente dos direitos estabelecidos pela Lei Maria da Penha e outras legislações de proteção às mulheres.
Busque orientação de advogados especializados em direitos das mulheres. 
Não hesite em pedir ajuda.

Lembre-se de que não está sozinha e que há apoio disponível.

Se sentir que sua vida está em perigo, não hesite em pedir ajuda imediatamente.
Lembramos que denunciar a violência é um passo corajoso em direção à sua segurança e ao fim do ciclo de violência. Seja firme em sua decisão de buscar ajuda, pois merece viver uma vida livre de violência e medo.