Na última terça-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lançou uma série de medidas que intensificaram as tensões na América Latina, especialmente no que diz respeito à região de Essequibo, disputada entre a Venezuela e a Guiana há mais de um século. Maduro divulgou um novo mapa do país, incorporando a área de Essequibo, que o governo venezuelano reivindica como sua. Esta ação ocorre em resposta ao referendo realizado no domingo, no qual o governo afirma que 95% dos eleitores votaram a favor da anexação da área.
A Guiana, por sua vez, reagiu imediatamente. O presidente Irfan Ali anunciou que acionará o Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a Corte Internacional de Justiça já havia proibido a Venezuela de tentar anexar Essequibo. Ali ressaltou que a Força de Defesa da Guiana está em alerta máximo, considerando a Venezuela como uma "nação fora da lei".
Além do novo mapa, Maduro decretou a criação da "zona de defesa integral Guayana Essequiba" e apresentou um projeto de lei para a criação de uma província, indicando a intenção de anexar a região. Ele também ordenou que a estatal petroleira venezuelana PDVSA conceda licenças para a exploração de petróleo e gás na área.
Essa escalada de tensões preocupa não apenas os países diretamente envolvidos, mas toda a América Latina. A Guiana, que experimentou um crescimento significativo nos últimos anos devido às reservas de petróleo em Essequibo, está buscando o apoio internacional, acionando a ONU para resolver o impasse.
A disputa territorial remonta ao final do século 19, com a região sob controle da Guiana desde então. O território de Essequibo representa 70% da área total da Guiana e é rico em recursos naturais, incluindo petróleo. Ambos os países baseiam suas reivindicações em documentos internacionais, mas a Corte Internacional de Justiça já decidiu que a Venezuela não pode anexar Essequibo, decisão reiterada na última sexta-feira.
O risco de conflito armado na fronteira preocupa também o Brasil, que está enviando blindados para proteger sua fronteira com a Venezuela. O Brasil, historicamente um mediador na região, tem em vista evitar que as tensões aumentem e ameacem a paz na América Latina.
O próximo passo na resolução desse impasse dependerá das ações internacionais e da capacidade dos líderes regionais de encontrar uma solução diplomática. O Conselho de Segurança da ONU pode desempenhar um papel crucial na busca por uma resolução pacífica, enquanto a comunidade internacional observa atentamente o desdobramento dessa delicada situação.
"Imediatamente ordenei publicar e levar a todas as escolas, colégios, Conselhos Comunitários, estabelecimentos públicos, universidades e em todos os lares do país o novo Mapa da Venezuela com a nossa Guiana Esequiba. Este é o nosso querido mapa!", publicou Maduro, em uma rede social.
Em um pronunciamento público, Maduro também anunciou que estava ordenando que a estatal petroleira venezuelana PDVSA conceda licenças para a exploração de petróleo e gás na região.
As ações anunciadas pela Venezuela ocorrem dois dias após a realização do referendo no país para a aprovação da incorporação de Essequibo à Venezuela. Segundo o governo do país, 95% dos eleitores votaram a favor da medida.
Além de divulgar o mapa, ordenar a emissão de licenças de exploração de petróleo e sugerir uma lei para criação de uma província, Maduro também propôs as seguintes medidas:
- um plano de assistência social à população da Guiana Esequiba, a realização de censo e entrega de carteira de identidade aos habitantes;
- a criação de um Alto Comissariado para a Defesa da Guiana Esequiba, órgão integrado pelo Conselho de Defesa, pelo Conselho do Governo Federal, pelo Conselho de Segurança Nacional e pelos setores político, religioso e acadêmico;
- a criação de uma Zona de Defesa Integral da Guiana Esequiba.
Após os anúncios do governo venezuelano, o presidente da Guiana, Irfaan Ali, afirmou que o país irá acionar o Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (6).


