O Renascimento do Grupo Wagner: Da Cozinha de Putin ao Palco Internacional.
O influente grupo mercenário Wagner alcançou notoriedade por estender sua influência por diversos países ao redor do mundo, e inclusive por instigar um levante contra Vladimir Putin. O seu líder, Yievene Prigojin, faleceu em circunstâncias misteriosas num acidente aéreo, pouco após desafiar o presidente russo. Posteriormente, o governo russo iniciou o desmantelamento do grupo Wagner, deixando o destino da organização envolto em mistério.
O destino do grupo Wagner, reestruturado pelo governo russo, finalmente recebe esclarecimentos após investigações detalhadas. De acordo com fontes, a nova missão do grupo Wagner envolve o fornecimento de apoio militar e estratégico a líderes de nações africanas, visando a manutenção de seus regimes no poder em troca do acesso aos recursos naturais desses países pela Rússia.
Para compreender melhor esse desdobramento, é essencial relembrar a notável trajetória de Evening Prigojin e seu império mercenário, que se estende por mais de uma década.
Inicialmente reconhecido como um renomado chef, Prigojin ganhou destaque ao ser proprietário de um dos restaurantes favoritos do presidente russo Putin. Essa conexão inicial o levou a expandir seus interesses comerciais em colaboração com o governo, tornando-se um dos homens mais ricos da Rússia.
Em cerca de 2014, Prigojin fundou o grupo Wagner como uma entidade paramilitar que prestava apoio às forças separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia. Há especulações de que o grupo tenha desempenhado um papel significativo na anexação da Crimeia pela Rússia. Desde então, o Wagner expandiu suas operações internacionalmente, sempre em alinhamento com os interesses geopolíticos e econômicos russos.
Na Síria, o grupo Wagner esteve ativo em apoio às forças do presidente Bashar al-Assad, aliado de Moscou, protegendo campos petrolíferos sob controle do governo sírio em troca de uma parcela dos lucros da exploração de petróleo. Essa abordagem foi replicada em várias nações africanas em conflito, como Mali, Sudão, República Centro-Africana e Níger.
Além de fornecer combatentes, o Wagner oferece treinamento militar, segurança privada e participa de operações lucrativas, como mineração de ouro e diamantes, exploração de petróleo e extração de madeira. No entanto, o grupo é frequentemente acusado de atividades criminosas, incluindo execuções sumárias, sequestros e tortura.
Desde a invasão na Ucrânia em 2022, os mercenários do Wagner têm sido protagonistas de algumas das batalhas mais intensas da guerra, sempre em defesa dos interesses russos. Eles reivindicaram até mesmo a tomada de Bakmoud, uma cidade ucraniana altamente disputada. Nesse ínterim, Prigojin emergiu como um dos mercenários mais famosos e temidos do mundo, controlando operações de bilhões de dólares. No entanto, sua ascensão também o colocou em rivalidade com a cúpula das forças armadas russas, disputando poder e influência.
O Legado Obscuro: A Transformação e Expansão do Grupo Wagner na África.
No auge da tensão entre os mercenários russos e o exército oficial, um incidente de grande repercussão evidenciou as disputas internas no cenário militar russo. O líder do grupo Wagner, conhecido por seus triunfos atribuídos em parte aos seus mercenários, levantou acusações de ineficiência contra as forças armadas regulares. Frigogen, em um movimento que desafiou abertamente o governo.
Putin, organizou um motim em junho de 2023, quando combatentes do Vagner avançaram em direção a Moscou, buscando a destituição do ministro da defesa e do chefe do estado-maior da Rússia. A ação, porém, terminou em fracasso, com a derrubada de dois helicópteros militares e um avião por parte dos mercenários, sendo rotulada por Putin como traição.
O desenrolar desse episódio, marcado pela morte de Brigojin em um acidente aéreo, permaneceu envolto em suspeitas, suscitando especulações sobre o destino do grupo de mercenários. Em uma reviravolta posterior, revelada por um relatório do centro de pesquisas em defesa Rose, o destino do Wagner foi delineado em um encontro no Kremlin. O grupo foi dividido em dois: um corpo voluntário atuando na Ucrânia e um corpo expedicionário sob o comando do general Andreia Verenov, encarregado das operações russas na África.
A imprensa teve acesso a documentos que revelam a oferta russa aos regimes africanos, proporcionando apoio militar e operacional em troca do acesso aos recursos naturais desses países. O corpo expedicionário russo, em reuniões com líderes africanos, como o general Khalifa Haftar na Líbia e líderes militares em Burkina Faso, Mali, Níger e República Centro-Africana, reiterou o compromisso de continuar as operações do grupo Wagner na África, inclusive oferecendo assistência militar e treinamento às forças locais. Especialistas políticos argumentam que para os regimes africanos, a presença militar russa oferece vantagens estratégicas claras.
(Fonte BBCBrasil)
