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Desaceleração do Crédito no Brasil em 2023: Análise do Relatório do Banco Central.

Desaceleração do Crédito no Brasil em 2023:

 


Desaceleração do Crédito no Brasil em 2023: Análise do Relatório do Banco Central

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (6) o seu Relatório de Economia Bancária, destacando uma desaceleração no crescimento do crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) em 2023. Diversos fatores contribuíram para esse cenário, incluindo os efeitos defasados da política monetária restritiva e o aumento da inadimplência, enquanto a concentração bancária continuou a cair.

Desaceleração nas Carteiras de Crédito

Segundo o relatório, a desaceleração foi mais acentuada nas carteiras de crédito livre, onde as taxas são negociadas livremente entre bancos e tomadores. Essa perda de dinamismo afetou tanto os segmentos de pessoas físicas quanto os de jurídicas. O crédito direcionado, que segue parâmetros estabelecidos pelo governo, mostrou comportamentos distintos: arrefecimento para pessoas físicas e aceleração para pessoas jurídicas. Como resultado, o crédito direcionado aumentou sua participação na carteira de crédito para ambos os segmentos.

Dinâmica do Crédito e Inadimplência

A dinâmica do crédito para pessoas físicas manteve-se semelhante aos anos anteriores, com uma leve redução nas taxas de inadimplência. Já a carteira de crédito para pessoas jurídicas desacelerou, apesar de algumas segmentações terem apresentado movimentos positivos. No entanto, a inadimplência aumentou nesse segmento.

Redução da Concentração Bancária e Aumento da Concorrência

O relatório também apontou a continuidade da redução da concentração no SFN e a elevação do grau de concorrência no mercado de crédito. Em contrapartida, a concorrência em serviços financeiros permaneceu relativamente estável.

Rentabilidade e Custo do Crédito

A rentabilidade do sistema bancário, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), apresentou uma leve redução em 2023, com distribuição heterogênea dentro do grupo das instituições financeiras de maior importância sistêmica. Refletindo elevações no custo de captação e na inadimplência, o Indicador de Custo do Crédito (ICC) aumentou em 2023, na média do ano, apesar da queda observada no segundo semestre.

Captações e Depósitos

Apesar do desempenho negativo dos depósitos de poupança, as captações no sistema bancário continuaram a crescer, impulsionadas pelo bom desempenho dos depósitos a prazo e pela alta atratividade dos instrumentos com isenção tributária.

Micro e Pequenas Empresas

Em 2023, as micro e pequenas empresas aumentaram sua participação no saldo de crédito para pessoas jurídicas, embora a taxa de crescimento tenha sido menor do que a do ano anterior.

Portabilidade de Crédito

A portabilidade de crédito também voltou a crescer, especialmente no crédito consignado. Esse movimento foi impulsionado pelo início do ciclo de queda da taxa Selic em agosto de 2023, que reduziu as taxas médias de juros praticadas para as novas concessões de crédito consignado. A taxa básica de juros caiu do pico de 13,75% para o atual nível de 10,5%.


O Relatório de Economia Bancária do Banco Central Banco Central oferece uma visão abrangente do desempenho do crédito no Brasil em 2023. A desaceleração observada reflete um contexto de política monetária restritiva e aumento da inadimplência, mas também revela uma redução na concentração bancária e um aumento na concorrência no mercado de crédito. A dinâmica variou entre diferentes segmentos, com destaque para a recuperação da portabilidade de crédito e o desempenho resiliente das micro e pequenas empresas.