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Bolsonaro sugere retirada do Brasil de organismos internacionais e acordo militar com os EUA

Jair Bolsonaro e Donald Trump (Crédito da foto: Alan Santos - PR)
Jair Bolsonaro e Donald Trump (Crédito da foto: Alan Santos–PR)

 


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou recentemente que, caso consiga reverter sua inelegibilidade e retornar à Presidência da República, tomará medidas radicais no cenário internacional. Entre suas propostas, está a saída do Brasil de organismos como o BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), além da possibilidade de instalação de uma base militar dos Estados Unidos no país.

As declarações foram feitas em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, onde Bolsonaro enfatizou sua intenção de alinhar ainda mais o Brasil com os interesses norte-americanos, seguindo o exemplo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. “Eu, se for presidente de novo, saio do BRICS e da OMS”, afirmou o ex-mandatário.

O contexto internacional e precedentes na América Latina

A ideia de retirar o Brasil de organismos internacionais não é inédita na América Latina. O presidente da Argentina, Javier Milei, já adotou postura semelhante ao anunciar a saída de seu país da OMS, reforçando uma tendência entre líderes conservadores e de extrema direita de se afastarem de instituições globais. Essa estratégia tem sido justificada com o argumento de fortalecer a soberania nacional e reduzir a influência de organismos que, segundo eles, interferem nas decisões internas dos países.

Acordo militar com os Estados Unidos

Além da saída de blocos e entidades internacionais, Bolsonaro também mencionou sua intenção de firmar um “acordo militar parrudo” com os Estados Unidos. O objetivo principal seria o combate ao terrorismo na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, região frequentemente citada por governos dos EUA como área de possível atuação de grupos extremistas. “Eu vou permitir que seja instalada uma base militar dos EUA ali”, declarou Bolsonaro.

A possibilidade de uma base militar estadunidense no Brasil geraria um impacto significativo na geopolítica sul-americana. Atualmente, países como Rússia e China mantêm relações comerciais e diplomáticas próximas ao Brasil, e uma mudança dessa magnitude poderia tensionar esses laços, além de provocar reações contrárias dentro do próprio país, tanto entre políticos quanto na sociedade civil.

Inelegibilidade e expectativas para 2026

Apesar de estar inelegível até 2030 devido a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro acredita que poderá reverter essa situação e disputar as eleições presidenciais de 2026. Ele confia no apoio de aliados para modificar o cenário jurídico e político que atualmente impede sua candidatura.

O cenário político brasileiro segue dinâmico, e as declarações do ex-presidente indicam que, caso tenha sucesso em retornar ao Planalto, pretende promover uma reconfiguração significativa da política externa do país. No entanto, a viabilidade dessas propostas dependerá de diversos fatores, incluindo o ambiente político nacional e as relações diplomáticas do Brasil com o restante do mundo.