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| Lula abre Reunião de Sherpas do BRICS na Presidência do Brasil - Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Lula abre Primeira Reunião de Sherpas da Presidência Brasileira do BRICS no Itamaraty
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (26), da sessão especial de abertura da Primeira Reunião de Sherpas da Presidência Brasileira do BRICS, realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. O encontro marca o início dos trabalhos preparatórios para a Cúpula de Líderes do bloco, que acontece em julho, no Rio de Janeiro.
Os sherpas são representantes diretos dos chefes de Estado e de governo dos países-membros do BRICS, responsáveis por coordenar negociações e definir as diretrizes políticas e estratégicas do grupo. Além dos delegados das 10 nações que compõem o bloco – Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã –, a sessão especial contou com a presença de embaixadores de países parceiros, como Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
Com a presidência rotativa do BRICS, o Brasil busca fortalecer a cooperação entre os membros, ampliar o diálogo com as nações emergentes e consolidar a agenda do grupo em temas estratégicos, como desenvolvimento sustentável, comércio, tecnologia e governança global.
Brasil na Presidência do BRICS: Desafios e Propostas para um Mundo Multipolar
A primeira reunião de Sherpas da presidência brasileira do BRICS marca um momento histórico para o bloco, agora expandido e com novos desafios globais a enfrentar. Com a participação de representantes dos países-membros e de nações parceiras, a sessão especial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o compromisso do Brasil com um mundo mais justo, equilibrado e cooperativo.
O Novo Formato do BRICS e a Responsabilidade Histórica
Em sua fala, Lula deu boas-vindas à Indonésia, o mais recente membro pleno do BRICS, e destacou que esta é a primeira vez que o bloco se reúne no Brasil em seu novo formato. Segundo o presidente, este é um momento de crise global que exige soluções construtivas e equilibradas.
A liderança brasileira no bloco está alinhada com os ideais da Agenda 2030, do Acordo de Paris e do Pacto para o Futuro, reforçando o papel do BRICS como um espaço de diversidade e diálogo. O objetivo central é consolidar uma ordem mundial multipolar, reduzindo as assimetrias históricas entre os países.
Seis Eixos Prioritários para a Presidência Brasileira
Lula destacou seis eixos fundamentais que guiarão a presidência brasileira do BRICS ao longo do ano:
Reforma da Arquitetura Multilateral de Paz e Segurança
Lula defendeu que a atual estrutura global precisa ser reformada para garantir maior representatividade dos países emergentes. O unilateralismo foi criticado como um fator que mina a estabilidade internacional.
A defesa do multilateralismo foi apontada como único caminho viável para evitar a fragmentação global.
Cooperação em Saúde
O presidente enfatizou a necessidade de enfrentar doenças que atingem populações vulneráveis no Sul Global, como tuberculose, malária e dengue.
Foi proposta a criação de uma parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas e tropicais negligenciadas.
Aprimoramento do Sistema Monetário e Financeiro Internacional
Lula destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento, criado em 2014, e sua contribuição para o financiamento de projetos sustentáveis.
O Brasil propõe a ampliação de plataformas de pagamento alternativas, reduzindo a dependência de sistemas financeiros tradicionais.
Crise Climática e Desenvolvimento Sustentável
O presidente alertou que 2023 foi o ano mais quente da história e que eventos climáticos extremos já custaram trilhões de dólares para a economia global.
O BRICS terá papel fundamental na COP 30, garantindo que crescimento econômico caminhe lado a lado com justiça social e ambiental.
Inteligência Artificial e Governança Digital
Lula ressaltou que a IA não pode ser um monopólio de poucas empresas e países.
A soberania digital e o interesse público devem prevalecer sobre a ganância corporativa, com uma governança justa sob o amparo da ONU.
Fortalecimento Institucional do BRICS
A rápida expansão do bloco nos últimos anos exige maior institucionalização para garantir eficiência e coordenação.
O Brasil trabalhará para consolidar mecanismos internos que fortaleçam a cooperação entre os países-membros.
O Papel do BRICS no Cenário Internacional
Ao longo dos últimos anos, o BRICS tem se consolidado como uma plataforma essencial para a construção de um novo modelo de governança global. Com a ampliação do bloco e a adesão de novos membros, seu impacto geopolítico se fortalece, desafiando estruturas tradicionais que favorecem potências históricas.
O Brasil, como país em desenvolvimento e líder regional, busca usar sua presidência para impulsionar mudanças estruturais que beneficiem as nações emergentes. Com um foco em diálogo, desenvolvimento sustentável e multipolaridade, a gestão brasileira promete avanços significativos para o bloco e para a ordem global.
