Putin agradece Lula e líderes do Brics ao discutir cessar-fogo na Ucrânia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou nesta quinta-feira (13) seu agradecimento ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a outros líderes do Brics pelo envolvimento na busca por um cessar-fogo no conflito com a Ucrânia. O chefe de Estado russo reconheceu os esforços do grupo, mas ressaltou a necessidade de discutir melhor os termos da proposta com os Estados Unidos, responsáveis pela iniciativa.
Durante uma coletiva de imprensa ao lado do líder de Belarus, Alexander Lukashenko, Putin iniciou sua resposta a uma das perguntas feitas pelos jornalistas agradecendo ao ex-presidente americano Donald Trump por seu interesse na resolução do conflito. Em seguida, estendeu sua gratidão aos países do Brics, mencionando especificamente os líderes do Brasil, China, Índia e África do Sul.
Rússia e EUA: O que Esperar das Possíveis Negociações sobre Sanções?
"Todos nós temos nossos próprios assuntos atuais, mas muitos líderes de países e o presidente da República Popular da China, o primeiro-ministro da Índia, os presidentes do Brasil e da África do Sul estão lidando com essa questão, dedicando muito tempo a ela", afirmou Putin. "Somos gratos a todos eles por isso, porque esta atividade visa atingir uma missão nobre, a missão de acabar com as hostilidades e as perdas humanas."
Histórico de propostas de paz
A iniciativa para um cessar-fogo não é inédita. No ano passado, durante a cúpula do Brics realizada em Kazan, na Rússia, Brasil e China apresentaram uma proposta de paz que incluía medidas como a não ampliação do campo de batalha, a intensificação da ajuda humanitária e a realização de uma conferência internacional de paz com participação igualitária de todas as partes envolvidas. Apesar do apoio de Putin, a proposta foi rejeitada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que a considerou vaga e sem medidas concretas.
Discussão sobre os termos do cessar-fogo
Na coletiva, Putin declarou que apoia um cessar-fogo, mas ressaltou que qualquer acordo deve garantir uma "paz duradoura" e abordar as causas iniciais do conflito. Ele ainda destacou que há nuances a serem discutidas, como a forma de garantir o cumprimento do acordo ao longo dos cerca de 2.000 km da fronteira entre Rússia e Ucrânia.
"Se cessarmos as hostilidades, o que isso significaria? Quem dará ordens para cessar as hostilidades?", questionou Putin. "Todas essas questões precisam ser estudadas meticulosamente por ambos os lados."
A Ucrânia já havia aceitado a proposta de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos na última terça-feira (11), após forte pressão de Washington. No entanto, Zelensky classificou a resposta de Putin como "manipuladora" e acusou Moscou de impor precondições que poderiam inviabilizar o acordo.
O debate sobre um possível cessar-fogo segue em andamento, com negociações entre os principais envolvidos. Enquanto isso, o conflito, que começou em fevereiro de 2022, continua a gerar impactos humanitários e geopolíticos em escala global.
O papel dos Brics no cessar-fogo na Ucrânia: influência ou diplomacia simbólica?
A recente manifestação de Vladimir Putin em relação ao envolvimento do Brasil e de outros países do Brics na busca por um cessar-fogo na Ucrânia levanta questões sobre o real impacto diplomático do bloco no conflito. Apesar do reconhecimento do líder russo, as negociações parecem depender fortemente das decisões dos Estados Unidos e da aceitação da Ucrânia, deixando dúvidas sobre o alcance da influência dos Brics nesse contexto.
Desde o início da guerra, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tem mantido uma posição ambígua, evitando alinhamentos claros com Moscou ou Kiev. Essa postura, embora diplomática, levanta questionamentos sobre a efetividade de sua atuação na resolução do conflito. A proposta conjunta de paz apresentada por Brasil e China em 2023 foi um exemplo disso: apesar de bem recebida por Putin, não avançou devido à rejeição da Ucrânia e à falta de respaldo de outras potências ocidentais.
