Eleições 2026: Lula enfrenta desgaste de imagem em meio a crise de confiança e economia estagnada
Por Redação | Abril de 2025
Faltando pouco mais de um ano para as eleições presidenciais de 2026, o cenário político brasileiro já começa a ganhar contornos mais definidos – e preocupantes para o atual governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em seu terceiro mandato, vê sua popularidade despencar em meio à frustração popular com promessas não cumpridas, aumento do custo de vida e desgaste na imagem de gestor confiável.
Uma das evidências mais alarmantes veio da recente rodada da pesquisa Quaest, que mostrou um salto significativo na desaprovação ao governo, atingindo 56%. A aprovação, por sua vez, recuou para 41%, enquanto a percepção de que “o país está indo na direção errada” alcança a maioria dos entrevistados (56%). A queda de apoio entre os eleitores de baixa renda – base histórica do lulismo – acende ainda mais o sinal de alerta dentro do Planalto.
Crise econômica corrói base eleitoral
Apesar dos esforços recentes para reverter a maré negativa com medidas populares, como o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a ampliação de programas sociais como o Pé-de-Meia e o Farmácia Popular, a percepção popular segue em deterioração.
A pesquisa indica que a principal angústia da população segue sendo a economia: 88% afirmam perceber aumento nos preços dos alimentos, enquanto 81% se dizem com menor poder de compra do que há um ano. A conta de luz, tida como um dos vilões da inflação doméstica, também aparece como preocupação central.
“O governo tenta sinalizar para a base com programas de transferência de renda, mas a sensação de que o dinheiro não dá mais para o mês neutraliza qualquer ganho político que isso poderia trazer”, explica o cientista político Vinícius Tavares.
Nordeste começa a virar?
Talvez o dado mais simbólico seja a erosão da imagem do presidente no Nordeste, sua principal fortaleza eleitoral. Lá, a desaprovação já chega a 46%, encostando perigosamente na aprovação (52%). No Sul e no Sudeste, o desgaste é ainda mais severo, com desaprovação acima dos 60%.
“Lula construiu seu capital político prometendo melhora de vida ao povo mais pobre. Quando o gás e o arroz ficam caros demais, esse contrato simbólico se rompe”, avalia a socióloga Marina Cardoso, especialista em comportamento eleitoral.
Clima de frustração: promessas não cumpridas e desgaste de imagem
Segundo o levantamento, 71% dos brasileiros acreditam que Lula não está cumprindo as promessas de campanha. E, mais grave, apenas uma minoria ainda enxerga o presidente como “bem intencionado”, sugerindo um desgaste pessoal que vai além da política.
Internamente, o PT já discute ajustes na comunicação e prepara um possível “pacote de impacto” para tentar recuperar o protagonismo político em 2025. Ainda assim, cresce nos bastidores a avaliação de que Lula pode precisar se reinventar radicalmente – ou abrir espaço para um novo nome da esquerda na corrida eleitoral de 2026.
Direita observa e avança
Do outro lado do espectro político, figuras como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (Novo) e até o ex-presidente Jair Bolsonaro, impedido de concorrer, mas ainda influente, começam a redesenhar o tabuleiro com vistas ao ano que vem. O deputado Eduardo Bolsonaro, inclusive, mesmo licenciado e nos Estados Unidos, segue mobilizando apoio entre conservadores e reforçando discursos contra o “ativismo judicial” e a censura.
A hipótese de uma candidatura bolsonarista de continuidade, apoiada pelo ex-presidente, permanece viva – especialmente se o campo progressista não conseguir reverter sua tendência de queda nas pesquisas.
2026 no horizonte
Com mais de 50% da população avaliando que este terceiro mandato de Lula é “pior que os anteriores”, o Planalto entra em modo de alerta. Os próximos meses serão decisivos para tentar conter a sangria política e redesenhar estratégias. Caso contrário, 2026 pode marcar o fim da era lulista com um revés histórico nas urnas.
Se por um lado o governo ainda tem tempo para agir, por outro, o desgaste da confiança pode se tornar irreversível. A pergunta que paira no ar é: será que o país está pronto para dar mais uma chance a Lula ou a virada à direita é inevitável?
