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Agricultura no centro das discussões: BRICS aposta na cooperação para enfrentar desafios globai

Com a presidência do BRICS em 2024, o Brasil tem liderado uma série de encontros preparatórios para a cúpula de líderes do bloco, marcada para julho, no Rio de Janeiro

 


Com a presidência do BRICS em 2024, o Brasil tem liderado uma série de encontros preparatórios para a cúpula de líderes do bloco, marcada para julho, no Rio de Janeiro. Nesta semana, em Brasília, representantes do setor agrícola dos países-membros se reuniram para alinhar estratégias e firmar uma declaração conjunta. A reunião reforça o papel crescente da agricultura como eixo estratégico para o desenvolvimento do Sul Global.


Formado atualmente por 11 países, o BRICS representa mais de 40% da população mundial e cerca de 37% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Números que consolidam o bloco como uma força geopolítica em ascensão. E dentro desse cenário, a produção de alimentos e a cooperação no setor agropecuário despontam como prioridades.


A declaração aprovada durante o encontro destacou a importância da mobilização de recursos financeiros para adaptação às mudanças climáticas e para garantir uma transição justa na produção agrícola. Outro ponto enfatizado foi o esforço conjunto para fortalecer a cooperação Sul-Sul, com ênfase na troca de conhecimentos e no desenvolvimento de tecnologias que aumentem a produtividade de forma sustentável.


“O BRICS reúne países com capacidades complementares. Enquanto uns são grandes produtores de trigo, outros se destacam na produção de soja, milho, carne e sorgo. Essa diversidade é uma vantagem estratégica”, declarou uma das autoridades presentes na reunião.


Entre as iniciativas mencionadas está o fortalecimento da pesquisa por meio de instituições como a Embrapa, reconhecida internacionalmente por sua atuação em inovação agrícola. O objetivo é ampliar a cooperação técnica, o desenvolvimento de maquinários e implementos agrícolas e a promoção de soluções que enfrentem a insegurança alimentar — desafio que ainda atinge milhões de pessoas nos países do bloco.


Além das pautas sustentáveis e sociais, a questão comercial também esteve no radar. A crescente adoção de tarifas protecionistas por parte dos Estados Unidos foi mencionada como fator de pressão para o fortalecimento do BRICS. Embora não tenha sido o tema central da reunião, o cenário global de barreiras tarifárias reforça a importância de alianças econômicas mais equilibradas e menos dependentes das potências tradicionais.


“O protecionismo norte-americano nos incentiva ainda mais a consolidar este bloco. Precisamos explorar as potencialidades de cada membro e ampliar as relações comerciais dentro do BRICS”, afirmou um dos participantes do encontro.


O evento em Brasília demonstra que o BRICS está atento aos desafios do presente e disposto a traçar caminhos conjuntos para o futuro. A aposta na agricultura como motor de desenvolvimento e instrumento de cooperação internacional é um indicativo de que o bloco pretende ampliar seu protagonismo não apenas econômico, mas também social e ambiental.


Com a cúpula de julho se aproximando, o Brasil tem a responsabilidade de conduzir o debate e propor caminhos que fortaleçam a integração entre os países. Em um mundo marcado por incertezas, o BRICS se posiciona como uma alternativa possível — e necessária — à ordem econômica tradicional.