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Governo defende inclusão do SUSP na Constituição, apesar de resistência de governadores

Descubra os benefícios de um sistema de segurança pública integrado e como ele pode transformar a luta contra o crime no Brasil.

 


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, tem como ponto central a tentativa de inserir o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) no texto constitucional. A medida tem gerado divergências entre o governo federal, que defende a mudança, e parte dos governadores, que alegam risco à autonomia dos estados na área de segurança.


Criado por lei ordinária em 2018, o SUSP visa integrar as ações das forças de segurança em âmbito federal, estadual e municipal. No entanto, a proposta de tornar o sistema uma obrigação constitucional preocupa gestores estaduais, pois isso implicaria no cumprimento obrigatório de diretrizes como o compartilhamento de dados e a atuação conjunta entre os entes da federação.


Para tentar contornar o impasse, o governo incluiu na PEC um trecho que reforça as competências de estados e municípios, buscando garantir que a proposta não comprometa as atribuições locais. A expectativa é que essa medida ajude a reduzir a resistência durante os debates.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é um dos principais defensores da constitucionalização do SUSP. Segundo fontes próximas à articulação política, a permanência desse ponto é vista como essencial para a consolidação de uma política nacional mais coordenada de segurança pública. Hoje, a ausência de integração entre os sistemas estaduais, por exemplo, dificulta até mesmo uma consulta nacional unificada de antecedentes criminais.


O relator da PEC na CCJ será o deputado Mendonça Filho (União-PE), vice-líder da oposição na Câmara, mas considerado pelo governo como um nome disposto ao diálogo. A proposta ainda será debatida em audiências públicas, com a participação de autoridades como o ministro Lewandowski e governadores das cinco regiões do país.


Raul Jungmann, ex-ministro da Segurança Pública no governo Michel Temer e responsável pela criação do SUSP, também tem manifestado apoio à proposta. Colega de Mendonça Filho na gestão Temer, Jungmann tem defendido a necessidade de fortalecer institucionalmente o sistema, tornando-o parte integrante da Constituição.


A expectativa é que o debate avance nas próximas semanas, com foco na construção de um consenso em torno da modernização e integração das políticas de segurança no Brasil.


Os Benefícios de um Sistema de Segurança Pública Integrado: O Que Podemos Esperar?

 

A ideia de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) completamente integrado ainda gera discussões e polêmicas no cenário político brasileiro. Mas, se deixarmos a disputa de lado e olharmos para o que essa integração pode representar na prática, é possível enxergar uma série de benefícios que poderiam transformar profundamente a forma como lidamos com a segurança no país.

 

1. Combate mais eficiente ao crime

 

Um dos principais gargalos enfrentados hoje pelos órgãos de segurança pública é a falta de comunicação entre estados e entre esferas de governo. Imagine um criminoso que comete um roubo em São Paulo e foge para o Paraná. Com um sistema integrado, as autoridades paranaenses poderiam consultar em tempo real os dados de São Paulo e agir de forma rápida, evitando a impunidade. Atualmente, essa troca de informações nem sempre ocorre com agilidade — e isso favorece a criminalidade.

 

2. Base nacional de dados unificada

 

Hoje, cada estado mantém seus próprios bancos de dados sobre ocorrências, suspeitos, armas, veículos e outros registros. Em um modelo integrado, todos os entes federativos compartilhariam uma mesma base de informações. Isso facilitaria investigações interestaduais, localização de pessoas foragidas, e ainda permitiria análises mais precisas para prevenção de crimes.

 

3. Operações coordenadas e mais estratégicas

 

A integração permitiria que forças policiais estaduais, federais e municipais trabalhassem em sintonia. Grandes operações poderiam ser planejadas com mais inteligência, evitando duplicidade de ações ou conflitos de competência. Isso traria mais agilidade e menor desperdício de recursos.

 

4. Políticas públicas com base em evidências

 

Com dados integrados e atualizados, o governo teria um retrato mais fiel da violência em todo o território nacional. Isso facilitaria a criação de políticas públicas mais eficazes, direcionando investimentos para onde há maior necessidade, com base em indicadores reais de criminalidade e não apenas em percepções locais.

 

5. Mais transparência e controle social

 

Ao unificar os sistemas, seria possível também oferecer à sociedade maior acesso à informação, seja por meio de portais públicos, seja por relatórios periódicos. Isso fortalece o controle social, estimula a confiança na polícia e permite que os cidadãos acompanhem os resultados das ações de segurança pública.

 

6. Capacitação padronizada para os agentes

 

Outro ponto positivo seria a criação de normas nacionais de formação e capacitação para os profissionais da segurança pública. Isso garantiria que todos, independentemente da região do país, recebessem treinamento semelhante, baseado em direitos humanos, uso progressivo da força e práticas modernas de policiamento.

 


Desafios existem — mas o potencial é grande

 

Claro, uma integração real exige muito mais que uma proposta no papel. É preciso investimento em tecnologia, vontade política, respeito à autonomia dos entes federativos e construção de consensos. Mas os benefícios de um sistema de segurança pública verdadeiramente integrado são grandes demais para serem ignorados.

 

A pergunta que fica é: estamos prontos para dar esse passo? Se sim, podemos estar mais próximos de uma segurança pública mais eficiente, justa e conectada com as necessidades da população.