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Guerra comercial entre EUA e China: tarifas insustentáveis, mercados instáveis e a política do improviso

Guerra comercial EUA-China atinge níveis insustentáveis, admite secretário do Tesouro americano

Por mais que o governo Trump tentasse vender a guerra comercial com a China como uma estratégia firme de defesa da indústria americana, o próprio secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, admitiu o óbvio nesta quarta-feira (24): os níveis atuais de tarifas simplesmente não se sustentam. Com taxas que chegam a 145% sobre produtos chineses e 125% sobre itens norte-americanos, o que está em curso não é apenas uma disputa comercial — é quase um embargo disfarçado.

A fala de Bessent não é casual. Ela surge no momento em que a economia global ensaia sinais de desgaste, os mercados estão em alerta constante e a confiança empresarial vacila. A política tarifária de Trump, marcada por improvisos e ameaças públicas, já não parece mais uma ferramenta de negociação, mas uma bomba-relógio que começa a cobrar sua fatura.

A Casa Branca até flertou com a ideia de recuar. Rumores divulgados pelo Wall Street Journal indicam que o governo cogita reduzir as tarifas para até 50%. Uma medida que, embora ainda alta, representaria um alívio temporário. Mas, como já é de praxe, um porta-voz do governo desmentiu tudo, dizendo que qualquer anúncio viria "diretamente de Trump". Essa insegurança é sintomática: mostra que, mais do que estratégia, o que se tem é um governo refém de seus próprios rompantes.

Impacto nos mercados internacionais

Enquanto isso, os mercados reagem a cada suspiro de moderação como se fosse a chegada da primavera. Nesta quarta, o índice S&P 500 subiu 1,85% apenas com a possibilidade de um recuo tarifário. A esperança, ainda que frágil, é suficiente para animar investidores. Mas o fôlego é curto. Sem ações concretas, as bolsas voltam a oscilar como um paciente na UTI econômica.

É preciso dizer: essa guerra de tarifas foi, desde o início, um jogo perigoso. A retórica inflamada de Trump, somada às sanções em massa, causou danos que vão além do comércio. Interrompeu cadeias logísticas globais, aumentou custos de produção e empurrou países aliados, como os membros da União Europeia, para a defensiva. A própria Alemanha, por meio da transportadora Hapag-Lloyd, relatou o cancelamento de 30% dos embarques da China para os EUA. Não é pouca coisa.

Previsões econômicas preocupantes

E não para por aí. A S&P Global apontou que a atividade comercial americana atingiu seu ponto mais baixo em 16 meses. Já o FMI, em tom de alerta, avisou que esse protecionismo tarifário pode desacelerar ainda mais o crescimento e empurrar governos para déficits ainda maiores.

A pergunta que fica é: até quando os EUA insistirão nessa política de força bruta travestida de nacionalismo econômico? O mundo mudou, as economias estão interligadas, e o custo de decisões unilaterais se espalha em ondas. O próprio Bessent sugeriu que o terceiro trimestre poderá trazer mais clareza. Mas sejamos francos: se clareza depender de Trump, talvez seja melhor os mercados se prepararem para mais neblina.

A política comercial americana precisa urgentemente sair do campo da retórica populista e entrar no da racionalidade econômica. O mundo agradeceria. E os mercados também.