Pular para o conteúdo principal

Polícia Federal apreende cigarros eletrônicos em operação realizada em Curitiba

Polícia Federal apreende cigarros eletrônicos em operação realizada em Curitiba


A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (29) a Operação FireVaper, que teve como alvo um esquema de comercialização ilegal de cigarros eletrônicos em Curitiba, no Paraná. A ação resultou na apreensão de milhares de dispositivos eletrônicos para fumar, além de essências e acessórios importados de forma irregular. Um homem foi preso em flagrante.


A investigação começou após uma denúncia anônima apontar o envolvimento de um bombeiro militar e de um estudante de medicina na venda desses produtos, que são proibidos no Brasil. De acordo com a PF, as mercadorias eram armazenadas em um imóvel utilizado como depósito e comercializadas por meio de plataformas digitais e redes sociais.


Com base nas informações levantadas, os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão no local indicado, onde encontraram grande quantidade de cigarros eletrônicos de procedência estrangeira. O suspeito detido foi levado para a sede da PF, onde prestou depoimento.


A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem com o objetivo de identificar todos os envolvidos na distribuição dos produtos, bem como a origem da remessa dos itens para o território nacional.


A comercialização, importação e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas no país desde 2009, conforme resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Cigarro eletrônico: o que é, como funciona e por que é proibido no Brasil


Os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, se tornaram populares nos últimos anos, especialmente entre os jovens. Comercializados como uma alternativa ao cigarro tradicional, esses dispositivos despertam preocupações crescentes entre especialistas em saúde pública. No Brasil, a venda, importação e propaganda dos produtos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009.


O que é e como funciona


Diferente do cigarro comum, que utiliza a queima do tabaco, o cigarro eletrônico funciona por meio de um sistema eletrônico que aquece um líquido — conhecido como e-liquid ou juice — até transformá-lo em vapor. Esse líquido geralmente contém nicotina, aromatizantes e outras substâncias químicas. Ao ser inalado, o vapor leva a nicotina diretamente aos pulmões e ao cérebro.


Os dispositivos variam em tamanho e formato, podendo se parecer com canetas, pen drives ou até mesmo com cigarros tradicionais. Muitos são reutilizáveis e recarregáveis, o que torna seu uso contínuo e fácil de disfarçar.


Riscos à saúde


Embora frequentemente apresentados como menos prejudiciais do que o cigarro convencional, os cigarros eletrônicos carregam riscos importantes à saúde. Diversos estudos apontam que os vapes podem causar inflamação pulmonar, doenças respiratórias e cardiovasculares. Há ainda preocupação com a exposição a substâncias tóxicas presentes no vapor, como metais pesados e compostos cancerígenos.


Além disso, a nicotina presente na maioria dos líquidos é altamente viciante e pode afetar o desenvolvimento cerebral de adolescentes e jovens adultos. Casos de lesões pulmonares graves associadas ao uso de vapes já foram registrados em diversos países.


Situação legal no Brasil


A Anvisa mantém desde 2009 uma resolução que proíbe a venda, importação e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. A medida foi tomada como forma de precaução diante das incertezas científicas e dos riscos à saúde. A comercialização desses produtos é considerada infração sanitária e, em alguns casos, crime contra a saúde pública.


Em 2022, a Anvisa realizou uma audiência pública para reavaliar a regulamentação, mas decidiu manter a proibição, alegando falta de evidências suficientes sobre a segurança dos produtos. Ainda assim, o mercado ilegal prospera, alimentado principalmente por vendas online e redes sociais.


Combate ao comércio ilegal


Operações como a FireVaper, realizada pela Polícia Federal em Curitiba nesta terça-feira (29), têm como objetivo coibir esse comércio clandestino. Os produtos apreendidos geralmente têm origem estrangeira e entram no país sem autorização da Anvisa ou fiscalização sanitária.

A PF alerta que os consumidores desses produtos também estão se expondo a riscos desconhecidos, já que não há controle de qualidade sobre os ingredientes dos líquidos vendidos irregularmente.


Embora os cigarros eletrônicos sejam promovidos como alternativa ao tabagismo, especialistas alertam que eles representam novos perigos para a saúde pública. No Brasil, sua proibição visa proteger especialmente adolescentes e jovens, público mais vulnerável à influência de modismos e à dependência da nicotina. Com a crescente oferta ilegal pela internet, autoridades reforçam a fiscalização e o combate ao comércio desses dispositivos.