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Bolsonaro questiona delação de Mauro Cid e denuncia “perseguição”.

Jair Bolsonaro critica delação de Mauro Cid e fala sobre investigações em entrevista ao UOL
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante entrevista sobre as investigações (Foto: Reprodução/UOL)

Bolsonaro critica delação de Mauro Cid e alega "tortura psicológica" em entrevista

Em entrevista exclusiva ao portal UOL, o ex-presidente Jair Bolsonaro abordou diversos temas que estão no centro das investigações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para a delação premiada de seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid.

Questionamentos sobre a delação de Mauro Cid

Bolsonaro questionou frontalmente a legitimidade da colaboração de Cid com a Justiça, afirmando categoricamente que ela teria sido obtida sob coação. O ex-presidente usou termos fortes ao descrever o processo como uma forma moderna de "tortura psicológica", comparando-o ao que chamou de "pau de arara do século XXI", em referência à pressão emocional que teria sido exercida sobre Cid envolvendo seus familiares.

"Delação subentende espontaneidade, verdade e prova. Isso deixou de existir na delação do Cid", afirmou Bolsonaro com veemência.

— Jair Bolsonaro, ex-presidente da República

O ex-mandatário foi além em suas críticas, acusando diretamente o ministro Alexandre de Moraes de negar acesso à íntegra dos vídeos da delação. Em suas declarações, Bolsonaro levantou suspeitas sobre a possibilidade de chantagem com base em suposto conteúdo comprometedor.

Contraste no tratamento judicial

Bolsonaro também comentou outros inquéritos que o envolvem, incluindo a investigação sobre a suposta falsificação de cartões de vacinação e o processo que apura uma tentativa de golpe de Estado. Segundo sua análise, o tratamento dado aos seus processos forma um contraste gritante com a forma como o Judiciário agiu em outros momentos históricos, especialmente no caso das suspeitas de fraudes eleitorais em 2018.

"Houve um inquérito aberto em novembro de 2018 para apurar fraude na minha eleição. Ganhei e fui investigado. Quando questiono irregularidades, sou multado", criticou Bolsonaro, destacando o que considera uma disparidade de tratamento por parte das autoridades.

Precedentes jurídicos e críticas ao STF

A entrevista também revelou o posicionamento estratégico de Bolsonaro em relação à possibilidade de o Supremo Tribunal Federal anular condenações baseadas em delações obtidas sob pressão, como já ocorreu em processos da Operação Lava Jato. O ex-presidente sugeriu que poderá usar esse precedente jurídico, se necessário, para contestar eventuais decisões futuras contra ele.

"Você briga com a tua esposa em casa e vai recorrer para a sogra. Se for condenado, acabou. Ponto final. Game over", ironizou Bolsonaro, ao comentar a falta de instâncias superiores ao STF no sistema judiciário brasileiro.

Acusações e defesa

No encerramento da entrevista, o ex-presidente fez um balanço emocionado do que classifica como "perseguição implacável" desde seu mandato. Ele enumerou diversas acusações que enfrentou, incluindo:

  • Envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco
  • Compra de imóveis no Vale do Ribeira
  • Suposto caixa dois em campanhas eleitorais

Bolsonaro foi enfático ao afirmar que nenhuma dessas acusações se sustentaria com provas concretas, atribuindo-as a um suposto viés político dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.

"Eu sofri cinco anos sendo acusado de ter matado a Marielle. Fui acusado de comprar 100 mil imóveis para parente meu. Tudo passa por gente lá no Supremo", afirmou com indignação.

Lawfare e cenário internacional

Para concluir, Bolsonaro articulou uma análise sobre o que chamou de "lawfare" — termo que define o uso estratégico do sistema judicial como ferramenta de perseguição política. Segundo sua avaliação, o desgaste da imagem do STF diante da opinião pública nacional e internacional seria um reflexo direto dessa prática.

O ex-presidente ampliou o escopo de sua crítica, mencionando que fenômenos similares estariam ocorrendo em outros países como Romênia, França e Estados Unidos, configurando um padrão global de judicialização da política.

📌 Pontos-chave da entrevista:

  • Críticas à delação de Mauro Cid
  • Alegações de "tortura psicológica"
  • Questionamentos sobre imparcialidade do STF
  • Comparação com processos da Lava Jato
  • Defesa contra acusações diversas
  • Análise sobre "lawfare" internacional

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