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Cessar-Fogo em Debate: Bombardeios se Intensificam em Gaza Durante Conversas de Paz

Israel e Hamas retomaram neste sábado (17) as negociações para um possível acordo de paz no Catar.

 


Mesmo diante de uma das campanhas de bombardeios mais letais desde o colapso do último cessar-fogo, Israel e Hamas retomaram neste sábado (17) as negociações para um possível acordo de paz no Catar. As conversas, realizadas de forma indireta em Doha, acontecem enquanto tropas israelenses se mobilizam para uma nova ofensiva terrestre de grande escala, batizada de "Carruagens de Gideão"

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Segundo as autoridades de saúde palestinas, ao menos 146 pessoas morreram apenas nas últimas 24 horas, totalizando centenas de mortos em três dias consecutivos de ataques aéreos israelenses. Os hospitais da Faixa de Gaza estão em colapso, com centenas de feridos em estado crítico e muitas vítimas ainda soterradas sob os escombros. O diretor do Hospital Indonésio, Marwan Al-Sultan, relatou que a situação é “catastrófica”.






Apesar do cenário devastador, a retomada das negociações foi confirmada por ambas as partes. Taher Al-Nono, conselheiro de imprensa do Hamas, declarou que os representantes do grupo islâmico apresentaram em Doha sua posição, exigindo o fim da guerra, a troca de prisioneiros, a retirada de tropas israelenses de Gaza e a entrada irrestrita de ajuda humanitária.


Já o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as conversas têm como foco a libertação dos reféns israelenses capturados pelo Hamas em outubro de 2023. No entanto, Israel reiterou que não aceita um cessar-fogo imediato, nem o fim do bloqueio ao enclave palestino.


A ofensiva atual acontece logo após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à região. Trump, que reconheceu a gravidade da crise humanitária, declarou apoio a um plano que prevê a entrega de alimentos aos palestinos ainda em maio, através de uma fundação americana privada — iniciativa que não conta com apoio da ONU, que alega falta de imparcialidade e independência.


A fome iminente se soma às demais tragédias enfrentadas pelos 2,3 milhões de habitantes da Faixa de Gaza. Desde março, Israel suspendeu completamente o envio de suprimentos, agravando ainda mais a crise. Segundo o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, a comunidade internacional precisa agir para “prevenir um genocídio”.


Durante a cúpula da Liga Árabe, o presidente do Egito, Abdel-Fatah al-Sisi, acusou Israel de tentar “aniquilar” os palestinos e apelou por medidas concretas para garantir o envio de ajuda humanitária. O Hamas, por sua vez, declarou que Gaza está sendo alvo de uma “campanha sistemática de extermínio”.

A guerra, iniciada em outubro de 2023, já matou mais de 53 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde locais. A maioria da população foi forçada a abandonar suas casas. Israel justifica sua campanha militar como parte de um plano para desmantelar as capacidades militares e administrativas do Hamas, responsável por um ataque que matou cerca de 1.200 israelenses e sequestrou aproximadamente 250 reféns.

Em meio a este cenário, informações divulgadas pela NBC News revelam que o governo Trump estaria discutindo secretamente um plano de deslocamento forçado de até um milhão de palestinos da Faixa de Gaza para a Líbia — proposta fortemente rejeitada por todas as forças políticas palestinas.

A situação na Faixa de Gaza se torna cada vez mais desesperadora. As negociações em Doha oferecem uma tênue esperança de trégua, mas o futuro permanece incerto, diante de interesses conflitantes e de uma crise humanitária sem precedentes no século XXI.