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Crise Diplomática: Rússia Acusa Sérvia de Exportar Armas para a Ucrânia

Rússia acusa Sérvia de enviar armas à Ucrânia; Belgrado nega e propõe grupo com Moscou para investigar. Relação bilateral em tensão.
Rússia acusa Sérvia de enviar armas à Ucrânia; Belgrado nega e propõe grupo com Moscou para investigar. Relação bilateral em tensão.

 


Em mais um episódio que tensiona as relações diplomáticas entre dois históricos aliados, a Rússia acusou a Sérvia de exportar armas para a Ucrânia. As informações foram publicadas pela EuroNews nesta semana, com base em um comunicado oficial do Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR), que classificou a suposta prática como uma "facada nas costas" de um dos mais antigos aliados europeus de Moscou.


Acusações de Exportação de Armas


Segundo o comunicado divulgado pelo SVR, as empresas sérvias do setor de defesa estariam fornecendo munições para Kiev, contrariando a política de "neutralidade" declarada oficialmente por Belgrado. De acordo com a Rússia, os armamentos são enviados por meio de intermediários membros da OTAN, principalmente Chéquia, Polônia e Bulgária. O serviço russo também afirmou que "opções exóticas", envolvendo Estados africanos, estariam sendo utilizadas para viabilizar essas transferências.


Em tom crítico, o comunicado acusou a Sérvia de ter trabalhadores e empresários dispostos a "lucrar com o sangue de povos eslavos fraternos", esquecendo, segundo Moscou, quem são seus "verdadeiros amigos e inimigos".


Resposta de Belgrado


O presidente sérvio, Aleksandar Vučić, respondeu prontamente às acusações. Em entrevista à emissora estatal RTS, citada pela EuroNews, Vučić reconheceu a existência de um contrato com a Chéquia, mas negou que o acordo permitisse a reexportação de armas para a Ucrânia. "Não foi dada qualquer autorização e nenhuma munição foi entregue à Ucrânia", afirmou.


Ainda segundo Vučić, a questão já foi discutida com o presidente russo, Vladimir Putin. Como resultado, Belgrado e Moscou decidiram criar um "grupo de trabalho" para investigar como armamentos de fabricação sérvia teriam chegado ao território ucraniano.


Acusações Repetidas e Reações


Esta não é a primeira vez que a Sérvia enfrenta acusações semelhantes. Conforme lembra a EuroNews, em junho de 2024, o jornal britânico Financial Times divulgou que munições sérvias, avaliadas em 750 milhões de euros, teriam chegado indiretamente à Ucrânia. Ainda em março, Belgrado também precisou negar ter exportado armamentos após exigência formal de esclarecimentos por parte de Moscou.


O SVR reiterou que essas transações estariam ocorrendo por meio de "um esquema simples", utilizando "certificados de utilizador final e países intermediários falsos" como cobertura para o que classificou de "ações anti-russas".


Um Equilíbrio Diplomático Delicado


A presença de armas sérvias na Ucrânia — principalmente munições padronizadas da era soviética e fabricadas na antiga Iugoslávia — tem sido objeto de discussões desde 2023. Contudo, não está claro o motivo de o serviço russo decidir reforçar as acusações neste momento.


A crise evidencia o frágil equilíbrio da política externa sérvia. Embora seja um dos principais candidatos à adesão à União Europeia (UE), Belgrado mantém laços estreitos com Moscou, inclusive após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.


Vučić, inclusive, foi um dos poucos líderes europeus a comparecer ao desfile do Dia da Vitória de Putin, em Moscou, no dia 9 de maio. O presidente justificou sua presença dizendo que participou para "celebrar a participação da Sérvia na libertação do continente do fascismo na Segunda Guerra Mundial".


Apesar de ter votado a favor das resoluções da ONU que condenam a invasão russa, a Sérvia se recusou a aderir às sanções ocidentais e não apoiou a maioria das declarações oficiais da UE sobre a guerra.


Moscou Eleva Tom Contra Belgrado


O SVR foi categórico ao afirmar que a contribuição da indústria de defesa sérvia para o conflito "ascende a centenas de milhares de cartuchos, bem como a um milhão de munições para armas ligeiras". Segundo Moscou, tais ações atenderiam ao objetivo ocidental de impor uma "derrota estratégica" à Rússia.


A crise representa mais um desafio à política externa de Vučić, que recentemente destacou: "Os ataques contra a Sérvia vindos do Leste e do Oeste são frequentes porque Belgrado conduz políticas autónomas e independentes".


Contexto Histórico das Relações Sérvia-Rússia


A Sérvia é tradicionalmente considerada um dos aliados mais próximos da Rússia na Europa, com profundas ligações históricas, culturais e religiosas. Moscou sempre apoiou Belgrado em questões sensíveis, como o não reconhecimento da independência de Kosovo. Por outro lado, a aproximação recente da Sérvia com a UE e o equilíbrio que tenta manter em meio à guerra na Ucrânia expõem uma política externa cada vez mais desafiadora.

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