Encontro na Suíça pode representar início de distensão na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo
As negociações comerciais entre Estados Unidos e China voltaram ao centro do cenário internacional neste fim de semana, após uma reunião em Genebra, na Suíça, que reuniu representantes dos dois países. O presidente americano, Donald Trump, afirmou no sábado (10) que houve “grande progresso” nas conversas, mesmo sem o anúncio de um novo acordo.
“Uma redefinição total foi negociada de forma amigável, mas construtiva. Queremos ver, para o bem da China e dos EUA, uma abertura da China aos negócios americanos”, publicou Trump em sua rede social, Truth Social.
O encontro marcou o primeiro diálogo direto em semanas entre autoridades dos dois países desde a escalada da guerra comercial. Representando os Estados Unidos, estiveram presentes o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o Representante Comercial, Jamieson Greer. Do lado chinês, as conversas foram lideradas pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng.
Guerra comercial pressiona economia global
Desde o início do conflito tarifário, os Estados Unidos impuseram tarifas de até 145% sobre produtos chineses, enquanto a China respondeu com tarifas de 125% sobre bens americanos. Essas medidas provocaram uma queda significativa no comércio bilateral e impacto direto na inflação americana.
A redução nas importações já se reflete nos dados: as compras dos EUA da China podem cair até 80% no segundo semestre de 2025, segundo o JPMorgan. Analistas do Goldman Sachs alertam que a inflação americana pode dobrar até o final do ano, chegando a 4%, impulsionada pelos altos custos de importação.
Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos já apresentou contração, com empresas importadoras tentando antecipar compras antes das novas tarifas. A China também sente os efeitos: suas exportações para os EUA caíram 21% em abril, e a indústria manufatureira enfrenta sua maior retração em 16 meses.
Expectativa e cautela: próximos passos
Apesar do tom otimista de Trump, as negociações seguem com cautela. O secretário Bessent havia declarado anteriormente que não se esperava um grande acordo neste momento, mas reconheceu o avanço como um passo importante.
A agência estatal chinesa Xinhua classificou as conversas como “um passo importante para resolver o problema”, mas ressaltou que será necessário “paciência estratégica” e apoio internacional para uma solução definitiva.
No entanto, a simples possibilidade de revisão das tarifas — Trump mencionou uma possível redução para 80% — já alimenta expectativas em mercados globais e setores produtivos afetados pela disputa.
Importância global do impasse
Estados Unidos e China são as duas maiores economias do planeta, com influência direta sobre o comércio e o crescimento global. A continuidade ou resolução dessa guerra comercial pode redefinir cadeias de suprimento, estratégias industriais e o cenário econômico internacional pelos próximos anos.
As negociações continuam neste domingo (11) e devem permanecer no radar de analistas e investidores de todo o mundo.
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