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Lula participa de fórum Brasil-China e fortalece laços comerciais em meio a tensões globais

Lula participa de fórum em Pequim para ampliar exportações do Brasil à China e firmar acordos em meio à tensão comercial com os EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta segunda-feira (12) de um importante fórum empresarial entre Brasil e China, realizado em Pequim.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira (12), em Pequim, uma agenda estratégica para ampliar as relações comerciais entre Brasil e China. O destaque do dia foi a participação no Fórum Empresarial Brasil-China, que reuniu cerca de 200 empresários brasileiros e o mesmo número de executivos chineses, em um cenário de crescente tensão entre China e Estados Unidos por conta das barreiras tarifárias impostas pelo governo norte-americano.


O encontro é visto como uma oportunidade crucial para expandir a presença de produtos brasileiros no maior mercado asiático. Entre os itens com maior potencial de exportação para a China estão proteína animal, café, alimentos industrializados e fontes renováveis como a bioenergia — setores destacados pelo governo brasileiro como estratégicos para o crescimento das exportações de maior valor agregado.


Organizado pela ApexBrasil em parceria com os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o fórum contou com a presença de autoridades políticas e empresariais dos dois países. A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, também é aguardada para o evento.


A missão oficial liderada por Lula conta com a participação de ministros, governadores e parlamentares. Na terça-feira (13), o presidente brasileiro deve participar da 4ª reunião ministerial do Fórum China-Celac e terá reuniões bilaterais com o presidente chinês, Xi Jinping, com expectativa de assinatura de novos acordos comerciais e parcerias estratégicas.


Essa é a segunda visita de Lula à China durante seu terceiro mandato. A viagem anterior ocorreu em abril de 2023 e foi sucedida por uma visita de Xi Jinping ao Brasil em novembro, após a Cúpula do G20. Os dois líderes também se encontraram na Cúpula do Brics, na África do Sul, no mesmo ano.


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China: principal parceiro comercial do Brasil


A China segue como o principal destino das exportações brasileiras, absorvendo 28% de tudo o que o país vende ao exterior — o que corresponde a 41,4% do superávit comercial do Brasil em 2024. Os produtos mais vendidos incluem soja, celulose, açúcar, carne bovina e de frango.


Segundo dados da ApexBrasil, há ao menos 400 oportunidades de negócios para exportadores brasileiros no mercado chinês. Entre os produtos com alta demanda estão cobre, trigo, café, petróleo, ferro, aço, máquinas e equipamentos, além de motores e medicamentos.


A China também ocupa a nona posição entre os maiores investidores no Brasil, sendo o principal investidor asiático no país.


Tarifas dos EUA pressionam comércio global


O cenário internacional segue pressionado pela política tarifária dos Estados Unidos. Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump adotou medidas protecionistas e aplicou tarifas de até 145% sobre produtos importados da China. A decisão provocou uma guerra comercial que afeta diretamente o fluxo de bens entre as duas maiores economias do mundo.


Na última semana, Trump reafirmou que não pretende rever as tarifas, o que mantém elevada a tensão no comércio global. Durante uma visita recente à Rússia, Lula criticou as ações unilaterais do governo norte-americano e defendeu o multilateralismo e o respeito à soberania entre as nações.


Enquanto isso, o governo dos EUA anunciou que retomará negociações com a China sobre as tarifas no  sábado (10), mas não há expectativa de mudanças imediatas.


Acordos com a China ganham força em meio à instabilidade global


Diante desse contexto, a aproximação entre Brasil e China ganha ainda mais relevância. O fortalecimento das relações bilaterais pode não apenas ampliar as oportunidades de exportação, mas também posicionar o Brasil de forma estratégica no cenário internacional, diversificando parcerias e reduzindo a dependência de mercados instáveis.


Com uma pauta focada em inovação, sustentabilidade e valor agregado, a atual missão brasileira à China sinaliza um novo momento para o comércio exterior do país.