O governo Lula enfrenta um momento decisivo com a aproximação das eleições de 2026. Apesar de avanços no crescimento econômico, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário, a popularidade do presidente Lula segue em queda, segundo apontam pesquisas recentes. Esse cenário pode comprometer os planos de reeleição ou a continuidade do atual projeto de governo.
Desde o início de 2025, o Palácio do Planalto realizou mudanças importantes na comunicação social e em pastas estratégicas, como o Ministério da Saúde, tradicionalmente uma das vitrines dos governos federais. Mesmo com esses ajustes, a percepção negativa da população sobre as políticas públicas se intensificou, conforme mostram os índices de desaprovação.
O governo terá, no próximo ano, o desafio de reverter esse quadro e aumentar sua base de apoio. Historicamente, presidentes que chegam ao período eleitoral com mais de 46% de avaliação positiva possuem grandes chances de se reeleger. Contudo, quando a popularidade está abaixo de 34%, o risco de derrota cresce consideravelmente. Por isso, melhorar a imagem junto ao eleitorado será essencial para Lula ou para o candidato que venha a representar o projeto político do atual governo.
Enquanto isso, a oposição se articula. A direita busca um nome de consenso para suceder Jair Bolsonaro, que está inelegível após condenações na Justiça Eleitoral e enfrenta riscos adicionais de punições no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os nomes cotados, destaca-se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, embora haja incerteza sobre sua disposição para entrar na disputa presidencial.
Segundo analistas políticos, a indefinição na escolha do candidato da direita pode beneficiar Lula, mas se o governo não conseguir melhorar seus índices de popularidade, a disputa poderá ser acirrada.
Crescimento econômico surpreende, mas revela fragilidades
Em meio a esse cenário político desafiador, os dados mais recentes do PIB do Brasil trazem um alívio: a economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, segundo o IBGE. No comparativo anual, o avanço foi de 2,9%.
O destaque ficou para o setor agropecuário, que apresentou uma expansão expressiva de 12,2%, puxada por uma safra recorde de soja, milho e tabaco. O agronegócio segue como motor do crescimento nacional, especialmente nos primeiros meses do ano, período em que ocorre a colheita da soja. No entanto, especialistas alertam que essa pujança não se sustenta ao longo do ano, já que o setor agrícola concentra seus resultados no primeiro semestre.
Outros setores também contribuíram para o crescimento, como os serviços, que avançaram 0,3%. Por outro lado, a indústria brasileira apresentou queda de 0,1%, mantendo a trajetória de fragilidade observada nos últimos anos. O baixo desempenho do setor industrial preocupa, pois impacta diretamente na geração de empregos de qualidade e no fortalecimento do crescimento econômico de longo prazo.
Outro dado positivo foi o crescimento expressivo dos investimentos, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que registrou um avanço significativo, sinalizando potencial para crescimento estrutural da economia. Este fator é crucial para romper o ciclo de crescimento de curto prazo seguido de alta na inflação e elevação dos juros.
Apesar do bom desempenho econômico, o governo Lula ainda precisa lidar com a inflação e com a alta taxa de juros, que atualmente está em 14,75%. Esses dois fatores podem frear o consumo e, consequentemente, o ritmo da recuperação econômica.
Desafios à frente: conciliar economia e política
O governo federal busca um equilíbrio entre manter o ritmo do crescimento econômico e melhorar a popularidade de Lula, aspectos fundamentais para a disputa eleitoral de 2026. O desafio será mostrar à população que os avanços econômicos se traduzem em benefícios concretos no dia a dia, especialmente em áreas como emprego, saúde e infraestrutura.
Enquanto isso, a oposição se organiza e espera o momento certo para lançar seu candidato, podendo alterar completamente o panorama das próximas eleições. A disputa promete ser intensa e terá, como pano de fundo, não apenas o embate político, mas também o desempenho da economia brasileira e a capacidade do governo em recuperar a confiança popular.
