Ronaldo critica sistema eleitoral da CBF e alerta: "Enquanto o poder for das federações, nada vai mudar no futebol brasileiro"
O ex-jogador Ronaldo Nazário, ídolo da Seleção Brasileira e bicampeão mundial, voltou a demonstrar sua insatisfação com a atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Convidado especial da Ferrari para acompanhar o Grande Prêmio da Emilia-Romagna de Fórmula 1, neste domingo (18), no autódromo de Ímola, na Itália, Ronaldo concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter Thiago Fagnani, do Grupo Bandeirantes, em que criticou severamente o modelo de gestão da CBF.
"Se não mudar o estatuto, essa palhaçada vai continuar. Muda a página, mas o livro é o mesmo. É tudo farinha do mesmo saco"
Para o ex-jogador, o problema estrutural da CBF está na concentração de poder nas mãos dos presidentes das federações estaduais. "Enquanto o poder continuar nas mãos dos 27 presidentes de federações, isso não vai mudar. É uma pena, porque o futebol brasileiro tem um potencial tão grande, com talento, jogadores, bastaria só fazer uma reforma importante para que a gente tivesse esperança de voltar a vencer títulos novamente", desabafou.
Como funciona a eleição na CBF?
A eleição para a presidência da CBF segue as regras estabelecidas em seu estatuto. O colégio eleitoral é formado por 60 votantes: os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, os 20 clubes da Série B e os 27 presidentes das federações estaduais. Contudo, o peso de cada voto é desigual: os votos das federações estaduais valem três vezes mais que os dos clubes da Série A, e os clubes da Série B têm peso dois.
Ou seja, mesmo que todos os clubes da elite votem em um candidato, ainda assim será necessário o apoio de parte das federações para vencer. Essa desproporção torna os presidentes das federações as figuras mais influentes no processo, gerando críticas frequentes de que o sistema favorece alianças políticas em detrimento da modernização do futebol brasileiro.
Um futuro incerto
A eleição marcada para o dia 25 de maio deve eleger o novo presidente da entidade, mas, como alertou Ronaldo, dificilmente representará uma ruptura com o modelo atual. "Eles vão ficar entre eles e nada vai mudar. Daqui a pouco volta tudo, voltam os escândalos, volta a corrupção", afirmou o Fenômeno.
Enquanto isso, torcedores e profissionais ligados ao futebol seguem divididos entre o desejo de renovação e a realidade de uma estrutura que, segundo críticos, continua engessada e resistente a mudanças profundas. A eleição da CBF, mais do que um simples processo burocrático, é também um reflexo dos desafios enfrentados pelo futebol brasileiro fora das quatro linhas.