O pastor Silas Malafaia voltou a se manifestar com veemência nas redes sociais sobre os desdobramentos do 8 de janeiro de 2023. Em um vídeo divulgado nesta semana, ele acusou o Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o ministro Alexandre de Moraes, de conduzir o que chamou de “farsa” e “perseguição política”. Para Malafaia, não houve tentativa de golpe, e o inquérito que resultou na prisão de centenas de manifestantes deve ser encerrado imediatamente.
Segundo o pastor, a recente declaração do senador Davi Alcolumbre de que teria recebido aval do STF para propor uma lei que reduzisse as penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro seria a prova de que o discurso oficial do “golpe” não se sustenta. “Quer dizer então que o Congresso precisa pedir autorização ao STF para legislar? Isso é uma vergonha! Isso é transformar o Congresso em capacho da Suprema Corte”, disse.
Malafaia também apontou o caso de Klezão, manifestante preso e falecido na cadeia, como exemplo da injustiça provocada pela condução do processo. “Quem vai pagar essa conta? Quem responde pela morte de um homem preso por uma mentira?”, questionou.
A crítica se estende à recente condenação de Débora “do Batom”, sentenciada a 14 anos de prisão. O pastor contesta os fundamentos jurídicos da decisão. “Tentativa de golpe de Estado? Abolição violenta do Estado Democrático? Associação criminosa armada? Tudo mentira!”, disparou. Para ele, o STF teria fabricado acusações para justificar penas desproporcionais.
Na fala, Malafaia também acusa o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, de incoerência. “Ele diz que o que aconteceu no 8 de janeiro é imperdoável, mas agora libera uma lei para reduzir pena? Isso é uma farsa! O povo brasileiro não é burro!”, afirmou. Em outro trecho, ele cita o ministro Gilmar Mendes, que declarou anteriormente que as penas eram justas, mas, segundo o pastor, também mudou de posição.
“Nós não queremos redução de pena. Nós queremos anistia!”, defendeu Malafaia, citando o artigo 48 da Constituição, que confere ao Congresso Nacional a competência exclusiva para conceder anistia. Para ele, o Supremo estaria usurpando atribuições do Legislativo: “Isso é uma intromissão vergonhosa no poder legislativo.”
O líder religioso também questiona o critério adotado para os julgamentos, afirmando que militantes de esquerda que quebraram patrimônio público em outras ocasiões nunca foram julgados pelo STF, ao contrário do que ocorreu com os bolsonaristas presos após os atos de janeiro. “Se alguém cometeu dano, que vá para a primeira instância, não é competência do STF”, afirmou.
O vídeo termina com uma convocação: Malafaia chama a população para uma manifestação no dia 7 de maio, às 16h, na Torre de Televisão de Brasília, com caminhada até o Congresso Nacional. O objetivo do ato, segundo ele, é exigir anistia total e não apenas redução de penas. “Pelo bem do Brasil, pela paz dessa nação, pelo Estado Democrático de Direito. Encerrem essa farsa!”, concluiu.
