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Viagem de Donald Trump à Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos prioriza investimentos bilionários e levanta críticas sobre omissão em conflitos na região. |
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concluiu, no dia 16 de maio de 2025, uma visita de quatro dias ao Oriente Médio, passando pela Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU). A viagem, embora lucrativa em termos econômicos, causou desconforto entre analistas e líderes árabes pela ausência de ações concretas em relação aos conflitos na Faixa de Gaza, Líbano e Iêmen.
Foco econômico: Trump garante trilhões em acordos comerciais no Golfo
no OrienteDesde sua posse no segundo mandato, Trump tem deixado claro que pretende priorizar os interesses econômicos dos EUA em suas políticas internacionais. E foi exatamente isso que fez no Oriente Médio. A viagem resultou em mais de 2 trilhões de dólares em acordos comerciais.
Arábia Saudita
Na primeira parada, em Riad, Trump assinou um pacote de investimentos de 600 bilhões de dólares com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. O destaque foi o maior acordo de vendas de defesa da história, no valor de 142 bilhões de dólares, envolvendo empresas americanas do setor militar.
Catar
Em Doha, Trump firmou um acordo de 1,2 trilhão de dólares para interc para intercâmbio econômico. A Qatar Airways, por exemplo, comprou 210 aeronaves da Boeing, avaliadas em 96 bilhões de dólares.
Emirados Árabes Unidos
Por fim, em Abu Dhabi, o presidente americano fechou acordos bilaterais de 200 bilhões de dólares. Com isso, o total negociado durante a visita ultrapassa os 2 trilhões, consolidando uma das maiores viagens de negócios internacionais de um presidente americano.
Ignorando Gaza: silêncio diante da escalada de violência
Apesar da expectativa de que a visita de Trump promovesse um cessar-fogo e ajudasse a aliviar a tensão no Oriente Médio, o presidente americano evitou comentar diretamente os ataques aéreos de Israel contra Gaza, que continuaram mesmo durante sua estadia na região.
Especialistas criticam o que chamam de "papel vago" dos Estados Unidos diante das crises humanitárias em curso. “Os EUA dizem querer paz, mas na prática priorizam apenas ganhos financeiros”, comentou Mostafa Amin, pesquisador de assuntos árabes.
Declarações polêmicas sobre Gaza
Durante um encontro com autoridades do Catar, Trump chegou a sugerir que os Estados Unidos deveriam “tomar Gaza e torná-la uma zona de liberdade”. A fala gerou reações negativas e foi interpretada como insensível e desconectada da realidade local.
“Ele só mencionou paz no contexto da libertação de reféns. Não falou de cessar-fogo, ajuda humanitária ou corredores seguros”, afirmou Amjad Abu al-Ezz, professor de ciência política.
Relação com Israel: esfriamento ou estratégia?
Um ponto que chamou a atenção foi a exclusão de Israel da rota da viagem, algo incomum para um presidente americano. Segundo analistas da Al Jazeera, a omissão indica um distanciamento estratégico entre Trump e o governo de Benjamin Netanyahu.
A ausência ganhou ainda mais peso após declarações de Trump em Abu Dhabi, reconhecendo que “muitas pessoas estão morrendo de fome em Gaza”, algo raramente dito por ele. O Times of Israel chegou a afirmar que “Israel teme estar perdendo seu aliado mais leal”.
Tensão com o Irã aumenta
Trump também aproveitou a viagem para atacar o Irã verbalmente, chamando o país de “força mais destrutiva da região”. As críticas intensificaram o atrito entre os dois governos, com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reagindo com firmeza às declarações.
Mudança de foco: EUA priorizam economia, mas ignoram estabilidade
A visita de Trump sinaliza uma possível mudança na política externa dos EUA para o Oriente Médio. Ao priorizar acordos econômicos e evitar envolvimento direto em conflitos regionais, Washington parece cada vez mais interessado em investimentos bilionários no Golfo do que na resolução de crises.
Segundo o analista político Ali Johar, “os Estados Unidos estão redefinindo seu papel, e isso pode enfraquecer sua autoridade moral e diplomática no mundo árabe”.
A viagem de Donald Trump ao Oriente Médio em maio de 2025 foi marcada por acordos trilionários e ausência de compromisso humanitário. Enquanto os lucros foram celebrados em Washington, as populações de Gaza, Iêmen e Líbano continuam à mercê de bombardeios e instabilidade política.
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