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| Imagem Reprodução TV Justiça/YouTube |
Em seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou sua defesa contra as acusações de suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022. Com base na transcrição do vídeo, destacamos os principais argumentos utilizados por ele:
1. Rejeição das Declarações do Brigadeiro Baptista Júnior
Bolsonaro contestou as afirmações do ex-comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Baptista Júnior, sobre supostas pressões para um golpe. Ele afirmou que, se houvesse um plano nesse sentido, teria trocado os comandantes militares, o que não ocorreu.
"O Brigadeiro Batista Júnior não procede, tanto é que foi desmentido pelo próprio comandante do Exército. Se dependesse de alguém diferente para levar avante um plano ridículo desse, teria trocado o comandante da Aeronáutica. Ninguém trocou o comando de ninguém, todos foram até o final."
Ele ainda sugeriu que o brigadeiro estava buscando "uma acomodação em outro lugar" após deixar o governo.
2. Negação de Assinatura de Documentos Golpistas
Questionado sobre um suposto decreto de intervenção, Bolsonaro afirmou que não assinou nenhum documento e que não houve convocação dos conselhos de defesa necessários para medidas excepcionais.
"Ficou assentado que o senhor não assinou o documento. Eu queria saber se o senhor consultou alguém antes de ter essa manifestação de não assinar. O senhor consultou alguém do Conselho de Defesa ou do Conselho da República? Não, conforme prevê a Constituição, o primeiro passo é convocar os conselhos."
Ele citou um exemplo de 2019, quando discutiu a possibilidade de um estado de defesa para resolver questões energéticas em Roraima, mas que a ideia foi descartada após consultas.
3. Críticas ao Sistema Eleitoral, mas sem Ameaças
Bolsonaro insistiu que suas críticas ao sistema eleitoral eram legítimas e não configuravam ataques, comparando-as a questionamentos feitos por políticos de esquerda no passado.
"Senhor procurador, eu não falo a palavra 'ataque', me desculpe, são críticas, como vi aqui, crítica do então candidato Flávio Dino, Carlos Lupi, Brizola, Zé Dirceu e tantos outros parlamentares. A crítica, no meu entender, está longe de ser um ataque."
Ele também negou que houvesse relação entre sua queda nas pesquisas e o aumento das críticas à Justiça Eleitoral.
4. Desmobilização dos Protestos Pós-Eleição
Ao ser questionado sobre os acampamentos pró-intervenção militar, Bolsonaro afirmou que pediu a desobstrução das rodovias e que não incentivou atos antidemocráticos.
*"Tão logo as eleições se acabaram, começou-se um movimento muito forte pelo Brasil, e o mais forte foi o dos caminhoneiros. Se eu não me engano, dia 1º de novembro ou dia 2, eu fiz um vídeo pedindo que eles desobstruíssem as vias."*
Ele argumentou que, se quisesse o caos, teria ficado quieto, mas preferiu agir para evitar maiores conflitos.
5. Negação de Envolvimento nos Ataques de 8 de Janeiro
Sobre os atos de vandalismo em Brasília, Bolsonaro disse que repudiou as invasões e que não havia estímulo de sua parte.
"Nós repudiamos tudo isso aí. Se você pegar os telefones, mais de 1.000 aparelhos recolhidos, não tem nada meu ali estimulando aquela baderna."
Ele ainda questionou por que o governo atual não agiu antes para dispersar os manifestantes.
6. Explicação sobre Documento Apreendido no PL
Ao ser confrontado sobre um suposto discurso golpista encontrado na sede do Partido Liberal, Bolsonaro afirmou que o documento foi enviado a ele por um advogado como parte do processo, mas que não era de sua autoria.
"Realmente, foi apreendido na minha mesa esse documento. Quem mandou para mim foi o doutor Paulo. Ele imprimiu o seu discurso? Não, o discurso não é meu não, foi pegando, alguém pegou em algum lugar esse discurso."
A defesa de Bolsonaro no STF baseou-se em:
Negar acusações específicas, como pressão sobre militares e autoria de documentos golpistas.
Afirmar que suas críticas ao sistema eleitoral eram legítimas, não incitação à desordem.
Desvincular-se dos protestos radicais, alegando que agiu para desmobilizá-los.
Rebater a ideia de um plano golpista, argumentando que nunca houve medidas concretas nesse sentido.
O julgamento segue em andamento, com expectativa de decisão ainda em 2025. Se condenado, Bolsonaro pode enfrentar penas de até 30 anos de prisão.
