O deputado italiano Angelo Bonelli afirmou nesta quinta-feira, 5 de junho, que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), atualmente foragida da Justiça brasileira, estaria escondida na região de Vêneto, no norte da Itália. A informação foi revelada durante entrevista à CNN, na qual o parlamentar destacou que os serviços secretos italianos têm conhecimento sobre a localização da deputada.
Zambelli deixou o Brasil após ser condenada pela Suprema Corte a uma pena de 10 anos de prisão. Com dupla cidadania, a parlamentar bolsonarista viajou à Itália, onde alegou estar legalmente como cidadã italiana. Apesar disso, a legislação do país europeu não impede a extradição de cidadãos italianos em casos específicos, o que mantém aberta a possibilidade de que a parlamentar possa vir a responder à Justiça brasileira.
Bonelli, conhecido por ser opositor do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, apontou que os laços ideológicos de Zambelli com a extrema-direita italiana podem dificultar sua prisão e extradição. Ele destacou ainda a relação da deputada com o partido de Matteo Salvini, atual responsável pelo Ministério do Interior da Itália e aliado político da família Bolsonaro.
"A polícia diz que não sabe onde ela está, mas o serviço secreto sabe. A informação reservada que recebi é de que ela está na região do Vêneto", declarou Bonelli à CNN.
Zambelli é procurada pela Interpol desde que teve a prisão decretada no Brasil. Até o momento, não há confirmação oficial sobre sua exata localização, nem se o governo italiano pretende colaborar com um eventual pedido de extradição.
Entenda o caso: condenação e perda do mandato
Em maio de 2024, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Carla Zambelli, por unanimidade, a 10 anos de prisão. A decisão foi motivada pelo envolvimento da deputada em invasões ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Zambelli foi condenada pelos crimes de falsidade ideológica e invasão de dispositivo informático. Como consequência, o STF determinou a perda de seu mandato parlamentar e a inelegibilidade, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa.
Prova crucial: O hacker Walter Delgatti, a mando de Zambelli, inseriu ao menos 16 documentos falsos no sistema do CNJ. A deputada acessou um desses arquivos segundos após sua criação no computador de Delgatti.
Consequências políticas e jurídicas
A inclusão de Carla Zambelli na lista de difusão vermelha da Interpol amplia a pressão sobre a parlamentar, que agora pode ser presa em qualquer país que mantenha acordos de cooperação internacional com o Brasil. O episódio também reforça a atuação do Supremo Tribunal Federal em casos envolvendo parlamentares e crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Além disso, o caso levanta questões sobre a relação entre imunidade parlamentar, foro privilegiado e o alcance das medidas judiciais no âmbito internacional.
