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Enfraquecido e temendo atentado, aiatolá do Irã se isola em bunker e inicia processo de sucessão

Imagem do aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos

 Em meio à escalada do conflito com Israel, líder supremo do Irã nomeia possíveis sucessores e tenta evitar colapso do regime.


No nono dia do conflito entre Irã e Israel, a tensão atinge novos patamares com a revelação de que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, decidiu se isolar em um bunker por temer ser o próximo alvo de um atentado. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times e repercutida por veículos internacionais neste sábado (21).


Segundo fontes ligadas ao alto escalão do governo iraniano, Khamenei está enfraquecido após a morte de diversos auxiliares próximos, vítimas de ataques israelenses nos últimos dias. Em resposta à instabilidade, o líder tomou medidas inéditas: indicou três clérigos à Assembleia dos Peritos como possíveis candidatos à sua sucessão. O objetivo é garantir uma transição rápida e evitar um vácuo de poder em caso de morte repentina.


A decisão ocorre em um momento crítico, com o Irã e Israel trocando ataques diretos. Enquanto o exército israelense confirma a morte de comandantes da Guarda Revolucionária iraniana, o Irã responde com mísseis balísticos e drones, aumentando o risco de uma escalada descontrolada.


Isolamento e medo de atentado


O isolamento do aiatolá reflete não apenas sua condição de saúde — fragilizada pela idade avançada — mas também a crescente pressão externa. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente saber a localização de Khamenei, sugerindo que poderia atacá-lo, mas “não naquele momento”.


A declaração acendeu alertas no Oriente Médio e reforçou a percepção de que a liderança iraniana está sob ameaça direta. De acordo com o professor Cayenno Lehman, especialista em política internacional, qualquer ação contra o aiatolá poderia mergulhar o país em um colapso institucional semelhante ao que ocorreu no Iraque após a queda de Saddam Hussein.


Pressões internas e dilemas norte-americanos


Enquanto o Irã se prepara para possíveis desdobramentos catastróficos, os Estados Unidos vivem um impasse. Trump, que ainda decide sobre uma eventual entrada militar direta no conflito, enfrenta resistências dentro de sua própria base política. Parte do eleitorado republicano teme os altos custos humanos e financeiros de uma nova intervenção no Oriente Médio, especialmente após os traumas do Iraque e do Afeganistão.


Embora os EUA tenham a infraestrutura militar necessária para atingir bunkers subterrâneos a mais de 160 metros de profundidade — onde supostamente estariam armazenadas armas nucleares iranianas —, qualquer ação nesse sentido poderia comprometer seriamente a estabilidade global.


Europa tenta, mas sem força para acordo


A diplomacia europeia, embora ativa, também encontra limitações. Sem o envolvimento direto dos Estados Unidos, especialistas consideram improvável que um acordo com o Irã tenha valor prático. A falta de disposição do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para dialogar também dificulta soluções pacíficas.


Risco de escalada incontrolável


Para os analistas, a continuidade dos ataques de ambos os lados deve se manter nas próximas semanas. No entanto, o maior risco está na possibilidade de um evento inesperado — como um ataque a líderes de Estado ou a infraestruturas críticas — desencadear uma escalada fora de controle. A movimentação de aviões militares norte-americanos capazes de transportar bombas de alta penetração já é vista como sinal de preparação para um envolvimento mais direto dos EUA.


O cenário atual aponta para um momento delicado e potencialmente perigoso para a estabilidade do Oriente Médio e da geopolítica internacional. A possível morte do aiatolá Khamenei, combinada com o vácuo de poder que ela pode gerar, eleva o grau de incerteza global. Enquanto isso, o mundo observa apreensivo os próximos passos dos protagonistas desse confronto.