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EUA avaliam liberar até US$ 30 bilhões para programa nuclear civil do Irã em nova tentativa de retomar negociações

Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, reivindica vitória sobre Israel e EUA e nega grandes estragos por ataques a instalações nucleares em primeiro pronunciamento após cessar-fogo, em 26 de junho de 2025. — Foto: Escritório do líder supremo do Irã/Wana via Reuters



A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos realiza nesta sexta-feira (27) um briefing confidencial sobre o Irã, em meio a uma nova tentativa de retomada das negociações nucleares entre Washington e Teerã. Fontes diplomáticas revelaram que autoridades americanas discutem permitir que o Irã tenha acesso a até 30 bilhões de dólares para investir em um programa nuclear voltado exclusivamente para a geração de energia civil.


A proposta incluiria, além do desbloqueio de fundos iranianos congelados por sanções econômicas, a participação de países árabes aliados no financiamento desse plano. Os Estados Unidos liderariam as negociações, mas não arcariam com os custos diretamente, segundo pessoas com conhecimento das conversas. O objetivo é criar condições para que o Irã volte à mesa de diálogo, após meses de tensão agravados por ataques militares na região.


As tratativas ocorrem em um momento delicado, com o Congresso americano dividido quanto à estratégia a ser adotada. Durante um briefing anterior no Senado, parlamentares republicanos e democratas divergiram sobre a real capacidade do Irã de desenvolver armas nucleares. Enquanto alguns acreditam que os recentes ataques atrasaram significativamente o programa atômico iraniano, outros avaliam que o impacto foi limitado, com atraso estimado em apenas alguns meses.


A possível retomada das negociações acontece após a interrupção de uma sexta rodada de diálogos nucleares que estava prevista antes dos bombardeios israelenses contra alvos iranianos, ocorridos no dia 13 de junho. Desde então, os contatos entre representantes dos Estados Unidos e do Irã teriam se intensificado, mesmo após novos ataques conduzidos por forças americanas.


Entre os pontos mais sensíveis da negociação está o enriquecimento de urânio. A proposta em estudo prevê que o Irã se abstenha de realizar o processo em seu território, utilizando material fornecido por terceiros para fins exclusivamente civis. Teerã, por sua vez, insiste em manter o direito de enriquecer urânio internamente — uma das principais barreiras que impediram avanços em rodadas anteriores.


Analistas internacionais ouvidos por agências estrangeiras alertam que ainda há muitos obstáculos no caminho. Um dos ex-negociadores americanos mais experientes no Oriente Médio, por exemplo, destacou que qualquer acordo viável depende de quatro elementos: vontade política das partes, senso de urgência, mediação qualificada e um plano final com equilíbrio de interesses. Até o momento, parte dessas condições ainda não estaria garantida.


Autoridades iranianas também sinalizaram que não estão dispostas a aceitar um acordo que limite seu direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos, o que torna o processo de negociação ainda mais incerto.

Fontes: agências internacionais.