Em um novo capítulo da crescente tensão no Oriente Médio, o Irã confirmou nesta segunda-feira (23) o lançamento de mísseis contra duas bases militares dos Estados Unidos localizadas no Catar e no Iraque. A informação foi divulgada pela televisão estatal iraniana e mais tarde confirmada pela Casa Branca. Trata-se do ataque mais significativo desde a retaliação pela morte do general Qassem Soleimani, em 2020.
O principal alvo foi a base aérea de al-Udeid, no Catar — a maior instalação militar americana na região e sede do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Em tom nacionalista, a imprensa oficial do Irã classificou a ofensiva como “uma resposta poderosa e bem-sucedida das Forças Armadas do Irã à agressão de Washington”. As transmissões foram acompanhadas por imagens militares e música marcial, exaltando o poder bélico do país.
Horas antes do ataque, autoridades cataris haviam suspendido o tráfego aéreo no espaço do país por “motivos de segurança”, medida comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores. O Departamento de Estado dos EUA também emitiu um alerta de segurança para cidadãos americanos no Catar, recomendando que permanecessem em locais protegidos. Fontes diplomáticas consultadas por agências como a Reuters e Bloomberg já indicavam que a ameaça era considerada “iminente”.
Imagens de satélite analisadas por especialistas e divulgadas pelo site Business Insider revelam que, nos últimos dias, os EUA removeram parte significativa de suas aeronaves expostas nos pátios da base de al-Udeid, em um indicativo de que a ofensiva era aguardada.
Além do Catar, duas bases militares americanas no Iraque também foram alvos de movimentações. Em Ain al-Asad, na província de Anbar, sistemas de defesa aérea foram ativados preventivamente. A instalação abriga tropas dos EUA que atuam em missões conjuntas com forças iraquianas e da Otan. Já na região curda, no norte do país, a base aérea de Erbil — considerada estratégica para ações de inteligência e treinamento — também está em alerta.
Em reação ao bombardeio, o governo do Catar declarou que “reserva-se o direito de responder diretamente, em conformidade com o direito internacional”, sinalizando possíveis desdobramentos regionais. A expectativa agora recai sobre a resposta da administração norte-americana. Segundo fontes oficiais, o presidente Donald Trump deve reunir seus principais conselheiros de segurança nacional ainda nesta tarde.
Este episódio marca uma escalada considerável no confronto entre Teerã e Washington e reacende temores de um conflito mais amplo envolvendo outras potências regionais e internacionais. O contexto também eleva o risco de instabilidade em uma das áreas mais sensíveis do planeta em termos geopolíticos e energéticos.
Por agências internacionais — Publicado em 23/06/2025, 13h45
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