Pular para o conteúdo principal

Lula critica a ONU e defende nova governança global durante evento com empresários franceses

captura de tela do evento - Presidente Lula durante o Fórum Econômico Brasil-França, em Paris, onde defendeu uma nova governança global e criticou a ineficácia da ONU.

 


Presidente cobra representatividade internacional e reforça convite para a COP30 na Amazônia


Durante discurso no Fórum Econômico Brasil-França, realizado em Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas contundentes à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU). Para ele, a entidade perdeu relevância diante dos conflitos atuais e já não cumpre seu papel como instância de decisão global.


“A ONU não representa quase nada mais. Nenhuma decisão da ONU é cumprida”, afirmou Lula, argumentando que nem mesmo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança respeitam as resoluções da organização.

 

"O mundo mudou e a ONU parou no tempo", diz Lula


Lula usou exemplos de conflitos recentes para ilustrar sua insatisfação com o funcionamento da ONU: a invasão do Iraque pelos EUA, a ação da Rússia contra a Ucrânia e as operações militares da França e do Reino Unido na Líbia, todas realizadas sem consulta ou autorização prévia do Conselho de Segurança.


“O que que passa pela ONU hoje? Nada. Se um dos cinco membros veta, tudo para. Isso não é democracia. A ONU precisa ser reformada com urgência.”

 

O presidente também criticou a ausência de grandes países emergentes no Conselho de Segurança: Brasil, México, Índia, Nigéria, Etiópia, Alemanha e Japão. Para Lula, isso demonstra como a estrutura da ONU está defasada diante da nova ordem geopolítica do século XXI.



Lula quer nova governança global com poder real de decisão


Lula defendeu a criação de uma nova governança mundial que funcione de forma coletiva e democrática, sem direito de veto:


“Quando a gente decide algo na COP ou no Acordo de Paris, ninguém cumpre. E qual é a punição? Nenhuma. Então tem que ter um sistema global que funcione. Se não cumprir, tem que haver punição coletiva. Isso é democracia.”

 

Segundo ele, organizações como o G20 e os BRICS podem ser a base para esse novo modelo de governança internacional, mais representativo e justo.


COP30 na Amazônia: Lula reforça convite e alerta sobre desigualdade climática

O presidente também fez um apelo aos países desenvolvidos para que compareçam à COP30, que será realizada na região amazônica do Brasil em 2025. O objetivo, segundo Lula, é mostrar ao mundo o valor da floresta e exigir mais responsabilidade ambiental das nações industrializadas.

“A floresta é o pulmão do mundo, mas a nossa dívida externa é a pneumonia. Nos ajudem a curar essa pneumonia para salvar esse pulmão.”

Lula destacou que a maioria dos países com florestas tropicais — como Brasil, Indonésia e Congo — estão entre os mais pobres, enquanto as nações ricas poluíram por séculos e agora resistem em arcar com os custos da transição ecológica:

“Vocês já criaram o bem-estar social poluindo o planeta. E nós? Não teremos o direito de desenvolver nossos países?”


Crítica ao modelo atual: "Estamos órfãos de pai e mãe"

Encerrando sua fala, Lula afirmou que a humanidade enfrenta hoje uma crise de liderança global. “Estamos órfãos de pai e mãe. Precisamos de uma governança mundial real, onde todos tenham voz e onde as decisões sejam cumpridas por todos.”

O presidente ainda ironizou possíveis lideranças autoritárias:

“E não vamos deixar o Trump ser o presidente dessa nova governança, não. Isso tem que ser coletivo.”


COP30: Brasil se prepara para sediar maior conferência climática do planeta na Amazônia


Evento reunirá líderes globais em 2025 para discutir medidas contra a crise climática.


Após o forte discurso do presidente Lula no Fórum Econômico Brasil-França, onde defendeu uma nova governança mundial e criticou a ineficácia da ONU, todas as atenções se voltam agora para a COP30, que será realizada em novembro de 2025, na cidade de Belém do Pará, no coração da Amazônia brasileira.


O evento, considerado a mais importante conferência internacional sobre mudanças climáticas, é promovido pela ONU por meio da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O Brasil será o anfitrião pela primeira vez desde a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro.



Por que a Amazônia? Um símbolo da urgência climática.


Escolher Belém para sediar a COP30 tem forte carga simbólica. A Amazônia é uma das regiões mais estratégicas do planeta para o equilíbrio climático global. Ela abriga a maior floresta tropical do mundo e armazena cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono, o que faz dela uma peça-chave no combate ao aquecimento global.


“Tem muita gente que fala da Amazônia, mas pouca gente conhece. Vamos fazer a COP30 lá para que o mundo veja com os próprios olhos o que estamos tentando preservar”, disse Lula.

 


Expectativas para a COP30: acordos mais ousados e punições mais claras


A conferência deve reunir mais de 190 países, incluindo chefes de Estado, cientistas, representantes da sociedade civil, ambientalistas e grandes empresas. A expectativa do governo brasileiro é que o evento resulte em acordos mais ambiciosos, com metas claras de redução de emissões e mecanismos de cobrança e punição para quem não cumprir os compromissos assumidos.


Segundo analistas, o Brasil pretende liderar as negociações com propostas centradas em:


  • Transição energética justa, com uso de fontes limpas e renováveis.

  • Financiamento climático para países em desenvolvimento.

  • Proteção de biomas tropicais e florestas nativas.

  • Combate à desigualdade socioambiental.



COP30 será um teste de liderança para o Brasil no cenário global


Com o mundo enfrentando eventos extremos com mais frequência — secas prolongadas, inundações históricas e ondas de calor recordes —, a COP30 será um teste crucial de liderança ambiental para o Brasil e uma oportunidade de reposicionar o país como referência internacional na agenda verde.


Lula já declarou que espera "mostrar ao mundo a verdadeira Amazônia" e reforçar o papel do Brasil como ator diplomático capaz de articular interesses entre países ricos e pobres, especialmente na cobrança do chamado "passivo histórico" da industrialização.


“Os países ricos já poluíram, criaram seus sistemas de bem-estar. E agora dizem que nós, do Sul global, não podemos crescer? Isso é injusto”, disse o presidente.


Expectativa popular e desafios logísticos


Além do impacto diplomático, a COP30 também movimentará a economia e a infraestrutura da região Norte. Estima-se que o evento atrairá mais de 40 mil participantes, o que exigirá investimentos em mobilidade, hospedagem e conectividade em Belém.


Governos estaduais e federal já articulam parcerias com empresas, universidades e órgãos internacionais para garantir que a COP30 seja não apenas histórica em conteúdo, mas também exemplar em logística e sustentabilidade.