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Prefeitura aposta em atuação estratégica para reduzir roubos e furtos, com nova tropa armada e salário de R$ 13 mil

Nova Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio mira segurança urbana com tecnologia e foco em dados

 Nova Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio mira segurança urbana com tecnologia e foco em dados;


A Prefeitura do Rio de Janeiro está prestes a lançar uma iniciativa ambiciosa na área de segurança pública: a criação da Divisão de Elite da Guarda Municipal, batizada como Força Municipal. O projeto, que já passou por primeira votação na Câmara e aguarda nova aprovação legislativa, propõe a formação de uma tropa altamente qualificada para atuar na prevenção de crimes em áreas de maior vulnerabilidade da cidade, utilizando tecnologia, inteligência territorial e foco em dados estatísticos.


Com salário de até R$ 13.033, a nova força se diferencia pela exigência de dedicação exclusiva: “Não é bico”, enfatizou o prefeito Eduardo Paes, ao comentar a proposta. A remuneração é composta por gratificações de risco e pelo exercício armado da função, além do salário base. Em comparação, o valor supera em mais de duas vezes o salário inicial de um policial militar no Estado do Rio, que gira em torno de R$ 5.200.


Atuação com base em inteligência e videomonitoramento


Diferente das forças tradicionais, a nova divisão terá ação ostensiva e comunitária, com foco em microáreas de alta criminalidade. A definição de locais e horários de patrulhamento será baseada nas chamadas “manchas criminais”, mapeadas a partir de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), FGV e IBGE. Segundo a prefeitura, 5,5% do território carioca concentram metade dos casos de roubos e furtos de rua.


A tropa atuará em duplas, a pé ou em motos, em escalas 12×36. Toda a operação será coordenada por salas de videomonitoramento, com liderança territorial e ordens de serviço determinadas por algoritmos e relatórios da mancha criminal. O modelo de gestão se assemelha ao sistema de policiamento por Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs).


Tecnologia e preparo: seleção interna e uso de câmeras corporais


Os primeiros 600 agentes da nova divisão serão selecionados entre os quadros já efetivos da Guarda Municipal, em duas turmas de 300. O processo seletivo exigirá análise da ficha funcional, formação profissional, exames médicos, avaliação psicológica e testes de aptidão física. A nova tropa contará com armamento, coletes de proteção e câmeras corporais, todos fornecidos pela prefeitura.


Além disso, o projeto também prevê a contratação de agentes temporários, com vínculo inicial de um ano e possibilidade de renovação por até seis anos. Esses profissionais terão a mesma remuneração dos guardas efetivos envolvidos na atuação armada.


Competências e limites legais


A Divisão de Elite atuará com base nas competências estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal em decisão de fevereiro deste ano, que ampliou a atuação das guardas municipais. Entre as funções permitidas estão:


  • Policiamento ostensivo e comunitário;

  • Ações imediatas em crimes em andamento, incluindo prisões em flagrante;

  • Prevenção e mediação de conflitos em espaços públicos;

  • Cooperação com as polícias Civil e Militar, sem sobreposição de funções.


No entanto, a guarda armada não poderá realizar investigações, nem atuar em operações contra o crime organizado ou na retomada de territórios dominados por facções.


Uma nova abordagem na segurança pública


A proposta da Força Municipal sinaliza uma mudança no modelo de segurança urbana do Rio de Janeiro, com ênfase na prevenção, no uso de tecnologia e na integração de dados para atuação precisa e eficiente. A iniciativa, se aprovada em sua totalidade, poderá representar um novo paradigma para outras cidades brasileiras, que enfrentam desafios semelhantes na gestão da segurança pública.