Tragédia aérea na Índia: sobrevivente relata pânico e corpos espalhados após queda de Boeing 787 com destino a Londres
Ahmedabad, Índia – Um trágico acidente aéreo envolvendo um Boeing 787-8 Dreamliner da Air India deixou mais de 290 mortos na manhã desta quinta-feira (horário local), segundos após a decolagem do voo AI171, que seguia com destino a Londres, no Reino Unido. Entre os 242 ocupantes da aeronave estavam 230 passageiros de diversas nacionalidades, incluindo indianos, britânicos, portugueses e um canadense. Um dos poucos sobreviventes, o britânico Vishwash Kumar Ramesh, de 40 anos, relatou com emoção os momentos de terror vividos logo após a queda.
— Trinta segundos depois da decolagem, ouvi um barulho muito alto. Depois disso, o avião caiu. Tudo aconteceu muito rápido — contou Vishwash, internado com ferimentos no peito, olhos e pés no Hospital Civil de Asarwa, em Ahmedabad.
A aeronave perdeu altitude abruptamente logo após sair da pista. Testemunhas relataram que o avião atingiu ao menos três prédios próximos ao aeroporto antes de explodir em chamas. Câmeras de segurança registraram fumaça saindo da aeronave já durante a decolagem. Segundo as autoridades, o radar indicou que o avião subiu apenas 190 metros antes da queda.
A bordo estavam 169 passageiros indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense. Vishwash viajava acompanhado do irmão, Ajay Kumar Ramesh, de 45 anos, que estava em outra fileira. Desde o acidente, ele não conseguiu localizá-lo.
— Visitamos Diu juntos. Ele viajava comigo, e agora não consigo encontrá-lo. Por favor, me ajudem a achá-lo — disse, comovido.
Após recobrar a consciência no meio dos destroços, Vishwash contou ter visto "corpos por toda parte" e correu em pânico até ser socorrido por equipes de emergência.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, lamentou o ocorrido e disse que as imagens do acidente são "devastadoras". O rei Charles III e a rainha Camilla também expressaram pesar. Em nota, o monarca afirmou estar "profundamente chocado" e prestou solidariedade aos afetados: “Nossas orações especiais e a mais profunda solidariedade estão com as famílias e amigos de todos os afetados por este incidente trágico e terrível em tantas nações”.
Primeiro desastre fatal com Boeing 787-8 Dreamliner
Este é o primeiro acidente fatal registrado com o Boeing 787-8 Dreamliner, modelo que entrou em operação em 2011. Conhecido por sua tecnologia avançada, eficiência energética e conforto, o 787-8 pode transportar até 250 passageiros e é uma peça-chave nas rotas intercontinentais da Air India.
A aeronave possui fuselagem feita com materiais compostos como fibra de carbono, janelas com escurecimento eletrônico e sistemas modernos de pressurização. Apesar disso, o modelo vinha sendo alvo de preocupações. Em abril de 2024, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) abriu uma investigação após denúncias de que partes da fuselagem estavam mal fixadas e poderiam se romper durante o voo. A Boeing afirmou que está reunindo informações sobre o acidente.
A fabricante norte-americana ainda lida com as repercussões de dois graves acidentes com o modelo 737 Max em 2018 e 2019, que causaram 346 mortes. Recentemente, a empresa fechou um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA para evitar responsabilização criminal, o que gerou protestos de familiares das vítimas.
Clima de comoção e busca por respostas
Enquanto as autoridades seguem investigando as causas da queda, familiares e amigos dos passageiros vivem momentos de desespero. Nos corredores do hospital de Ahmedabad, o clima é de dor e incerteza. Muitos percorrem as alas em busca de informações, enquanto os serviços de emergência continuam o trabalho de identificação das vítimas.
O chamado de emergência ("mayday") feito pela tripulação minutos após a decolagem foi registrado, mas pouco depois o contato com o controle aéreo foi interrompido, segundo uma autoridade local. A Air India e a Boeing ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as circunstâncias exatas da queda.
A tragédia lança novas dúvidas sobre a segurança operacional de aeronaves modernas e expõe a fragilidade dos protocolos em situações críticas. Enquanto isso, famílias de diferentes partes do mundo aguardam por respostas — e por reencontros, mesmo que improváveis.
Por agências internacionais – adaptado por nossa redação
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