Sanções dos EUA à Rússia podem afetar Brasil, China e Índia, alerta Otan
Brasília, 15 de julho de 2025 - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, alertou nesta terça-feira que as novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia podem ter impactos indiretos relevantes em economias emergentes, com destaque para Brasil, China e Índia.
A declaração ocorre um dia após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar medidas mais rígidas contra Moscou, incluindo as chamadas sanções secundárias, que visam pressionar parceiros comerciais que mantêm relações com o governo russo.
Impacto nas relações comerciais globais.
De acordo com o líder da Otan, as restrições atingem não apenas setores estratégicos da economia russa, mas também empresas estrangeiras e governos que mantêm relações comerciais com Moscou.
"As nações que optarem por continuar comprando ou negociando com a Rússia poderão enfrentar dificuldades de acesso ao mercado financeiro internacional e restrições adicionais de exportação", destacou Rutte em coletiva de imprensa.
Consequências para as principais economias emergentes
O Brasil importa da Rússia, principalmente, fertilizantes, combustíveis — com destaque para o óleo diesel — além de produtos como ferro fundido, aço e cereais. A Rússia é um dos principais fornecedores globais de fertilizantes químicos e minerais, sendo, segundo a Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros, o maior exportador mundial nesse segmento. Nos últimos anos, o Brasil também intensificou suas compras de óleo diesel russo.
Assim, qualquer restrição comercial ou sanção imposta à Rússia pode gerar impactos diretos na economia brasileira, especialmente em setores agrícolas e industriais que dependem fortemente desses insumos para manter suas cadeias produtivas.
No caso da China e da Índia, a preocupação é ainda maior devido à forte dependência energética e de matérias-primas russas, como petróleo e gás natural. Ambos os países se beneficiaram de energia mais barata desde o início do conflito na Ucrânia, o que fortaleceu suas indústrias domésticas.
Análise de especialistas em comércio global
Analistas de comércio exterior alertam que as sanções secundárias tendem a isolar ainda mais Moscou, mas também podem gerar instabilidade para países que buscam alternativas comerciais fora do eixo tradicional Ocidente-Oriente.
Existe preocupação generalizada de que um endurecimento excessivo das restrições possa:
- Afetar setores estratégicos das economias emergentes
- Dificultar o acesso a insumos essenciais
- Forçar realinhamentos na política externa de países como Brasil, China e Índia
O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as possíveis implicações das novas sanções para a economia nacional.