Pular para o conteúdo principal

BRICS discute expansão de fundo de reservas e apoio à taxação de super-ricos, com Brasil evitando moeda comum

 Imagem Reprodução Haddad

 


Durante as reuniões de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do BRICS, no Rio de Janeiro, o grupo sinalizou avanços em sua agenda econômica. Três pontos dominaram os debates: a possível ampliação do Arranjo Contingente de Reservas, o apoio coletivo à taxação de super-ricos e a tentativa — evitada pelo Brasil — de retomar o debate sobre uma moeda comum.


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que os países-membros deram apoio à proposta brasileira de endossar a Convenção-Quadro da ONU para cooperação tributária, que visa dificultar a evasão fiscal e criar mecanismos para tributar indivíduos de ultra alta renda. A iniciativa reforça a posição do governo brasileiro em defesa de maior justiça fiscal, especialmente em um contexto de tensão entre Executivo e Congresso Nacional sobre impostos internos.


“FMI alternativo” poderá crescer


Outro ponto de destaque foi a sinalização para a primeira ampliação do Arranjo Contingente de Reservas, considerado uma espécie de “FMI alternativo” do BRICS. Com um capital de US$ 100 bilhões, sendo US$ 17 bilhões aportados pelo Brasil por meio do Banco Central, o mecanismo serve como linha de defesa em caso de crises de liquidez ou desequilíbrios no balanço de pagamentos. Segundo Haddad, os países pretendem iniciar, ainda neste semestre, as negociações para a entrada de novos integrantes no fundo.


Brasil se afasta de debate sobre moeda comum


Enquanto a Rússia, liderada por Vladimir Putin, demonstrou interesse em retomar a discussão de uma moeda única para transações comerciais entre os membros — além de um sistema alternativo ao SWIFT — o governo brasileiro adotou postura cautelosa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já chegou a mencionar publicamente a ideia de uma moeda comum, não trouxe o tema para o centro das conversas desta vez. A posição oficial, segundo Haddad e o Banco Central do Brasil, é evitar a pressão russa e manter o foco em soluções já existentes para integração de pagamentos, sem criar novos mecanismos.


Ampliação do bloco e cenário global


As negociações ocorrem num momento em que o BRICS se fortalece como polo de economias emergentes. Além de Lula e Fernando Haddad, as reuniões contaram com autoridades como o presidente do Banco Central do Brasil e delegações de todos os países-membros. O grupo reforça sua posição como alternativa ao sistema financeiro internacional dominado por países desenvolvidos, ao mesmo tempo em que busca consensos em temas complexos, como a desdolarização parcial do comércio.


Para o Brasil, que ocupa a presidência rotativa do BRICS em 2025, a meta é ampliar a cooperação sem abrir mão de sua própria estabilidade econômica. Ao deixar em segundo plano a proposta de moeda única, o país sinaliza pragmatismo ao mesmo tempo em que fortalece seu compromisso com reformas multilaterais, como a atualização da arquitetura financeira global e a construção de instrumentos para enfrentar crises.