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Descoberta da NASA revela por que Marte perdeu sua água e se tornou um planeta árido

Marte - Planeta Vermelho
Visão global de Marte (Crédito: NASA)

Estudo inédito confirma teoria sobre o desaparecimento da atmosfera marciana

Pesquisa da NASA comprova mecanismo responsável pela perda da atmosfera de Marte, revelando como o planeta que já teve condições de abrigar vida se transformou no mundo árido que conhecemos hoje.

Um dos grandes mistérios do nosso sistema solar acaba de ganhar uma resposta concreta. Apesar de hoje ser um planeta árido e inóspito, Marte já abrigou grandes volumes de água líquida em sua superfície, além de possíveis formas de vida microbiana. Mas o que teria levado esse ambiente potencialmente habitável à completa desertificação?

Neste mês, a NASA divulgou um estudo inovador revelando que o processo físico conhecido como pulverização catódica atmosférica — ou sputtering, em inglês — foi provavelmente o principal mecanismo responsável pela perda da atmosfera marciana e, consequentemente, de sua água. A descoberta foi publicada na revista científica Science Advances e marca a primeira observação direta desse fenômeno em Marte, confirmando uma teoria que há décadas intriga os cientistas.

Como a pulverização catódica transformou Marte

A pulverização catódica é um processo no qual partículas altamente energéticas, como os íons do vento solar, colidem com a atmosfera de um planeta sem campo magnético. Essas colisões violentas arrancam átomos neutros da camada superior da atmosfera, lançando-os no espaço. Com o tempo, esse desgaste contínuo reduz drasticamente a densidade atmosférica — afetando a estabilidade da água líquida e a proteção contra radiações.

Processo de erosão atmosférica em Marte
Ilustração do processo de erosão atmosférica em Marte (Crédito: NASA/MAVEN)

Segundo a NASA, Marte perdeu seu campo magnético global há cerca de 4 bilhões de anos, tornando-se vulnerável às intensas tempestades solares da juventude do Sol. A ausência dessa barreira protetora permitiu que a atmosfera começasse a ser erodida por processos como o sputtering, levando à perda de elementos essenciais para manter água em estado líquido.

"É como fazer um salto de bola de canhão em uma piscina", compara Shannon Curry, pesquisadora principal da missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution). "A bala de canhão, neste caso, são os íons pesados que se chocam com a atmosfera e espalham átomos neutros para o espaço."

Observação histórica confirma teoria

Embora o sputtering fosse um processo já teorizado e parcialmente modelado por dados indiretos, essa foi a primeira vez que cientistas observaram diretamente sua atuação em Marte. A detecção foi possível graças à combinação de instrumentos a bordo da espaçonave MAVEN, da NASA:

  • SWIA (Solar Wind Ion Analyzer) – analisador de íons do vento solar
  • MAG (Magnetômetro) – mede a intensidade e variação do campo magnético local
  • NGIMS (Neutral Gas and Ion Mass Spectrometer) – espectrômetro de massa de gases neutros e íons

Com medições simultâneas feitas no lado diurno e noturno do planeta, os pesquisadores conseguiram identificar a presença de átomos de argônio em altitudes elevadas, justamente nas regiões onde os ventos solares colidiam com a atmosfera. Esse mapeamento revelou que o processo de sputtering ocorre de forma quatro vezes mais intensa do que se estimava anteriormente, com atividade significativamente maior durante períodos de tempestades solares.

Implicações para a história de Marte

Processo de pulverização catódica
Representação artística do processo de pulverização catódica (Crédito: NASA/GSFC)

A confirmação da pulverização catódica como principal agente da perda de atmosfera em Marte muda a compreensão científica sobre a transformação do planeta ao longo de bilhões de anos. A descoberta fortalece a hipótese de que Marte teve, de fato, condições para abrigar água em estado líquido e talvez formas primitivas de vida — condições que se perderam em decorrência de processos físicos naturais impulsionados pela atividade solar e pela ausência de um campo magnético global.

Além disso, os dados obtidos pela MAVEN são valiosos para a compreensão da evolução atmosférica de outros planetas rochosos — inclusive exoplanetas localizados em zonas habitáveis de outras estrelas.

"Esse estudo não apenas esclarece o passado de Marte, mas também nos ajuda a entender como atmosferas planetárias evoluem diante da exposição ao vento solar", destaca Curry.

Fontes e referências

  • NASA. NASA's MAVEN Makes First Observation of Atmospheric Sputtering at Mars. Publicado em julho de 2025. Disponível em: science.nasa.gov
  • Science Advances, Volume 11, edição de julho de 2025
  • Live Science. NASA spacecraft finds solar cannonballs may have stripped Mars of its water
  • Science Alert. Scientists have clear evidence of Martian atmosphere sputtering