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Governo Lula vê ações de Trump contra Alexandre de Moraes como ‘agressão estrangeira’ e reforça defesa da soberania dos BRICS

Governo Lula vê ações de Trump contra Alexandre de Moraes como ‘agressão estrangeira’ e reforça defesa da soberania dos BRICS
Governo Lula vê sanções dos EUA contra Moraes como agressão estrangeira e reforça defesa dos BRICS, soberania e multilateralismo.

 


O governo brasileiro elevou o tom ao classificar como uma “agressão estrangeira” as medidas tomadas pelos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A escalada diplomática surge após a Justiça da Flórida emitir uma segunda intimação contra Moraes, acusado por empresas ligadas ao Presidente norte-americano Donald Trump de violar leis de liberdade de expressão ao determinar o bloqueio de perfis de redes sociais hospedados em território americano.


Fontes do Palácio do Planalto avaliam que as sanções e os processos judiciais refletem um alinhamento do chamado trampismo com setores do bolsonarismo, num esforço coordenado para pressionar decisões do Judiciário brasileiro e desgastar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A ofensiva inclui ainda ameaças de aplicar a chamada Lei Magnitsky, que permite congelar bens de estrangeiros acusados de violar direitos humanos.


Contexto internacional: ataque aos BRICS e defesa de Bolsonaro


A crise diplomática ganhou fôlego após recentes declarações de Trump. Durante a reunião de cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro, o Presidente dos EUA sugeriu uma sobretaxa de 10% a países que estreitem laços com o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Além disso, Trump voltou a defender Jair Bolsonaro, classificando-o como vítima de perseguição, alimentando o discurso de setores bolsonaristas.


A movimentação foi celebrada por aliados de Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vem articulando há meses essa aproximação, apontando para novas ações nos tribunais norte-americanos contra autoridades brasileiras envolvidas em processos relacionados aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.


Lula reage: soberania e multilateralismo


Em resposta, Lula foi categórico ao reforçar a defesa da soberania nacional e do multilateralismo. Em encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente brasileiro criticou duramente a postura de Trump e reafirmou que o Brasil não aceitará “intromissões externas” nas decisões de seus tribunais ou em suas alianças estratégicas.


“Não aceitamos reclamações ou ameaças contra os BRICS. Nós somos países soberanos e queremos paz para que nossas nações possam progredir. Defendemos o multilateralismo, que foi o sistema que garantiu harmonia mundial depois da Segunda Guerra Mundial, hoje ameaçado pelo extremismo”, afirmou Lula durante a reunião bilateral.


O Brasil tem investido no fortalecimento das relações com a Índia, segundo maior mercado consumidor do mundo, em uma estratégia de diversificação que também inclui a China. Para o governo brasileiro, a aposta em novas rotas comerciais e acordos em moedas alternativas ao dólar é uma forma de diminuir a dependência da hegemonia financeira norte-americana.


Impactos e bastidores em Brasília


Diplomatas do Itamaraty avaliam que as recentes tensões não devem, pelo menos agora, comprometer as relações comerciais bilaterais com os EUA, que seguem mais robustas do que as com Índia ou China. No entanto, o Planalto não descarta endurecer o tom em fóruns multilaterais caso as ameaças se concretizem.


A Advocacia-Geral da União (AGU) já trabalha em minutas para intervir juridicamente em defesa de Moraes e articula medidas de proteção a autoridades brasileiras alvos de processos no exterior.


O episódio revela mais uma camada da disputa geopolítica entre blocos emergentes e a tradicional influência dos EUA, em um momento em que Lula busca reposicionar o Brasil como liderança ativa no Sul Global. Resta saber até que ponto o embate retórico se manterá na esfera política ou ganhará reflexos econômicos diretos.

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