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| Na Cúpula do BRICS, Lula critica FMI e Banco Mundial e defende reforma da OMC |
Na 17ª Cúpula do BRICS, realizada no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao atual modelo de governança econômico-financeira global. Ao se dirigir aos países-membros e convidados do bloco, Lula afirmou que estruturas como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial mantêm distorções de poder que aprofundam desigualdades entre nações ricas e em desenvolvimento.
“Mesmo nos termos atuais, as distorções são inegáveis. O poder de voto dos membros do BRICS no FMI deveria corresponder a pelo menos 25% e não apenas 18%”, declarou Lula durante o encontro.
Segundo ele, essas instituições acabaram sustentando o que chamou de “plano Marshall às avessas”, no qual economias emergentes acabam financiando países ricos por meio de fluxos financeiros desfavoráveis e juros elevados.
Novo Banco de Desenvolvimento se fortalece como alternativa
Em contraponto ao modelo tradicional, Lula destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff, como um instrumento mais justo para financiar infraestrutura e transição energética. A adesão recente de países como Argélia e o processo de ingresso de Colômbia e Peru reforçam, na avaliação do presidente, a força do banco como ferramenta de soberania financeira para o Sul Global.
Reforma da OMC: Lula quer destravar negociações agrícolas
Além das críticas ao FMI e ao Banco Mundial, Lula voltou a defender uma reforma urgente na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para ele, a paralisia da organização e o crescimento do protecionismo criam barreiras injustas para países emergentes.
O presidente cobrou que as negociações agrícolas, travadas há anos, avancem de forma concreta. “Não será possível restabelecer a confiança na OMC sem promover um equilíbrio justo de obrigações e direitos que reflita os interesses de todos”, afirmou.
Justiça tributária e combate à evasão fiscal são prioridades
Em outro ponto do discurso, Lula abordou o tema da justiça tributária global. Ele celebrou a posição unificada do BRICS em apoiar uma Convenção Quadro da ONU para Cooperação Tributária Internacional, que pode ajudar a combater a evasão fiscal em escala global. O presidente também alertou para o aumento da concentração de renda: apenas três mil bilionários acumularam mais de seis trilhões de dólares desde 2015.
Propostas para soberania digital e inteligência artificial
Lula também reforçou a necessidade de fortalecer a soberania digital dos países do BRICS. Entre as propostas, está o estudo de viabilidade para a instalação de cabos submarinos exclusivos que interliguem os países do bloco, ampliando a segurança e a velocidade na troca de dados.
Ele ainda destacou a importância de uma governança justa para a inteligência artificial, que deve ser transparente e inclusiva, evitando a concentração de poder tecnológico nas mãos de poucos conglomerados ou bilionários.
BRICS como alternativa para novo equilíbrio global
O discurso de Lula reafirmou o BRICS como peça-chave para a construção de um mundo multipolar, menos desigual e mais democrático. Para o presidente, reformar o FMI, o Banco Mundial e a OMC é fundamental para corrigir distorções históricas e garantir que economias emergentes tenham voz e voto à altura de sua relevância.
