Presidente Lula durante discurso na Cúpula do Mercosul 2025 em Buenos Aires
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância da integração regional da América do Sul durante seu discurso na Cúpula do Mercosul 2025, realizada nesta quinta-feira (3) em Buenos Aires, Argentina. Em sua fala, Lula destacou medidas para ampliar acordos comerciais, fortalecer a infraestrutura, impulsionar a transição energética e intensificar o combate ao crime organizado na região.
"Estar no Mercosul nos protege", afirmou Lula, ao defender que o bloco econômico deve ser visto como um instrumento estratégico para blindar os países sul-americanos de crises e disputas comerciais globais.
Ele destacou que a Tarifa Externa Comum e a robustez institucional tornam o Mercosul um parceiro confiável, atraindo cada vez mais o interesse de outros países e blocos econômicos.
Acordos comerciais e integração logística
No campo econômico, o discurso de Lula no Mercosul enfatizou a necessidade de fortalecer o comércio entre os países-membros e ampliar parcerias internacionais. O presidente citou o avanço de negociações com a União Europeia, a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), Canadá e Emirados Árabes Unidos, além de atualizar acordos com Colômbia e Equador.
Lula também defendeu a inclusão dos setores automotivo e açucareiro na União Aduaneira, além da criação de um sistema de pagamentos em moedas locais, como forma de reduzir custos e riscos cambiais. A Rota da Integração Sul-Americana e a conclusão da Rota Bioceânica, que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, foram apontadas como obras estratégicas para reduzir distâncias e custos logísticos, fortalecendo a circulação de bens e serviços com a Ásia.
Compromisso com a transição energética
A mudança climática foi outro ponto central do discurso. Lula anunciou que o Brasil pretende reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, reforçando o compromisso com o Acordo de Paris. O presidente saudou o Uruguai e o Equador pelo avanço de suas metas climáticas e destacou a COP-30, que será realizada em Belém, como vitrine para mostrar soluções sul-americanas de agricultura sustentável e energia limpa.
Para atrair investimentos, Lula propôs uma taxonomia sustentável no Mercosul e defendeu o aproveitamento das grandes reservas de minerais críticos da região, como lítio e terras raras, essenciais para tecnologias limpas. "A América do Sul tem tudo para ser o coração desse processo", declarou.
Desenvolvimento tecnológico e soberania digital
Outro ponto de destaque foi o incentivo ao desenvolvimento tecnológico na América do Sul. O presidente citou a parceria com o Chile para criar um modelo de inteligência artificial alinhado às realidades culturais e linguísticas da região, além de defender centros de dados locais e maior soberania digital. A pandemia de covid-19, segundo Lula, evidenciou a vulnerabilidade dos países sul-americanos, reforçando a necessidade de autonomia na produção de vacinas e medicamentos.
Combate ao crime organizado e promoção dos direitos sociais
No combate ao crime organizado, Lula defendeu ações integradas no Mercosul para enfrentar tráfico de drogas, armas, pessoas e crimes ambientais. Ele citou a renovação do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia como exemplos de boas práticas regionais.
Para Lula, a promoção dos direitos humanos e a redução das desigualdades também são essenciais para o progresso duradouro do bloco. Ele defendeu o fortalecimento do Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos e do Instituto Social do Mercosul, além de anunciar a retomada da Cúpula Social do Mercosul e de uma cúpula sindical para promover o diálogo democrático.
Encontro no Brasil em dezembro
Lula encerrou o discurso com uma homenagem a líderes como Pepo Henrique e o Papa Francisco, ressaltando o compromisso de uma integração solidária e sustentável. O presidente convidou os chefes de Estado e representantes para a próxima reunião do bloco, que acontecerá no Brasil em dezembro.
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