O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, anunciou nesta semana uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, que deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto. A medida, que atinge diretamente exportadores brasileiros, foi interpretada pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como uma resposta ao que classifica como “afastamento do Brasil dos valores do mundo livre”.
Em nota pública divulgada nesta quarta-feira (9), Eduardo responsabilizou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o governo Lula pela nova taxação. Segundo o parlamentar, a decisão americana é “clara, direta e inequívoca” e reflete denúncias que ele afirma ter levado pessoalmente a representantes do governo Trump nos Estados Unidos.
“Uma hora a conta chega”, disse Eduardo logo no início do texto. Para ele, o Brasil estaria se distanciando de compromissos democráticos básicos, como respeito à liberdade de expressão, ao devido processo legal e à realização de eleições transparentes.
Eduardo, que se licenciou do mandato na Câmara dos Deputados para atuar como interlocutor da família Bolsonaro com aliados republicanos nos EUA, afirma que a postura do Supremo Tribunal Federal contribuiu diretamente para o desgaste diplomático. Segundo ele, decisões recentes como a revogação parcial do Marco Civil da Internet, aprovada logo após Washington anunciar restrições de visto a violadores da liberdade de expressão, seriam exemplos de medidas que tensionaram ainda mais a relação.
Na avaliação do deputado, Moraes não agiria isoladamente. Em seu comunicado, ele aponta que o ministro conta com o respaldo de um “establishment político, empresarial e institucional que compactua com sua escalada autoritária”. Por isso, afirma Eduardo, Trump teria decidido ampliar o impacto das sanções, atingindo não apenas autoridades específicas, mas também setores econômicos que se beneficiam do comércio com o mercado norte-americano.
Para o parlamentar, a nova tarifa — chamada por ele de “Tarifa Moraes” — funcionaria como um alerta para que o Brasil reveja sua conduta. Na nota, ele defende que o Congresso Nacional tome a frente para reverter a atual situação, com medidas como uma anistia ampla, geral e irrestrita, além de uma nova legislação que assegure a liberdade de expressão, especialmente no ambiente digital.
Ainda segundo Eduardo Bolsonaro, o governo Lula também contribuiu para o desgaste ao adotar uma política externa que, segundo ele, privilegia alianças com regimes autoritários como China e Irã, enquanto se distancia dos Estados Unidos.
O deputado afirma que ainda há tempo para evitar um “desastre maior” nas relações comerciais. “Cabe ao Congresso liderar esse processo. Restam três semanas para evitar um desastre”, concluiu.
A nova tarifa de 50% deve afetar diretamente exportadores brasileiros de diversos setores, aumentando os custos para competir no mercado norte-americano. A medida reacende o debate sobre os impactos das decisões políticas internas na imagem e nas relações comerciais do Brasil no exterior.
