O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) voltou a gerar polêmica neste domingo (17). Em uma publicação nas redes sociais, ele atacou governadores de direita, classificando-os como “ratos” e “oportunistas”. A crítica foi direcionada a antigos aliados que, segundo ele, estariam em silêncio diante da prisão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na postagem, Carlos afirmou que Bolsonaro estaria sendo “lentamente assassinado” e acusou governadores de abandonarem a família no momento em que aliados enfrentam processos relacionados à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Ele também citou nomes como Filipe Martins e Daniel Silveira, apontando que o país estaria se transformando em uma “Venezuela” e denunciando violações de direitos humanos.
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente está nos Estados Unidos, compartilhou a publicação do irmão. Eduardo tem atuado no exterior em busca de apoio político e chegou a defender sanções contra o Brasil em reação às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Contexto político
O ataque de Carlos Bolsonaro ocorre um dia após o lançamento da candidatura presidencial de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais. Embora tenha tentado se distanciar da imagem de Bolsonaro, Zema fez um discurso com forte tom bolsonarista, evidenciando a disputa pela liderança da direita em 2026.
A reação do vereador expõe a fragmentação no campo conservador. Enquanto parte dos governadores, como Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e o próprio Zema, buscam consolidar seus nomes para a sucessão presidencial, a família Bolsonaro concentra esforços na defesa do ex-presidente.
Analistas avaliam que esse cenário de divisão interna enfraquece a direita e acaba favorecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve disputar a reeleição no próximo ano.
Julgamento de Bolsonaro
O pano de fundo da crise é o processo que tramita no STF contra Jair Bolsonaro, acusado de envolvimento na tentativa de golpe. O julgamento foi liberado com rapidez pelo ministro Alexandre de Moraes, em contraste com a demora na análise de outros réus, como oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, investigados por omissão nos atos de 8 de janeiro.
Especialistas apontam que a celeridade do julgamento se deve ao peso político do caso e à pressão da opinião pública. Entretanto, há receio de que a definição do processo em pleno ano eleitoral aumente a tensão política e possa estimular episódios de violência entre apoiadores do ex-presidente.
