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Edinho Silva defende fortalecimento do PT para era pós-Lula e critica Trump e Bolsonaro em encontro nacional da sigla

Edinho Silva assume o PT e aponta fortalecimento da sigla pós-Lula, com foco em 2026, criticando Trump e Bolsonaro em evento nacional.


Durante o 17º Encontro Nacional do PT, realizado neste domingo, o novo presidente nacional do partido, Edinho Silva — ex-prefeito de Araraquara (SP) — destacou a necessidade de preparar a legenda para um cenário futuro em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteja mais na disputa eleitoral. Segundo ele, a sucessão de Lula não passará por um nome específico, mas sim por um partido robusto capaz de sustentar o projeto político petista.


— A eleição de 2026 é a mais importante das nossas vidas. Temos a responsabilidade de garantir a continuidade do partido quando Lula não estiver mais nas urnas. Ele deixa um legado enorme, mas é preciso estar pronto para seguir sem sua presença eleitoral — afirmou Edinho.


O encontro contou com a presença de Lula e de 11 ministros de Estado, entre eles Camilo Santana (Educação), Jorge Messias (AGU), Anielle Franco (Igualdade Racial), Luiz Marinho (Trabalho), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Wellington Dias (Assistência Social) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral). A solenidade também marcou o retorno de José Dirceu à cena partidária. Condenado na época do escândalo do mensalão, o ex-ministro foi recebido com aplausos e gritos de “Dirceu guerreiro do povo brasileiro”.


Edinho usou o discurso para atacar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o republicano determinar novas tarifas sobre produtos brasileiros, e qualificou Jair Bolsonaro como representante do fascismo no Brasil.


Reações ao tarifaço norte-americano repercutiram entre lideranças petistas. A deputada Gleisi Hoffmann denunciou o que chamou de “traição” da família Bolsonaro por supostamente atuar em favor de sanções internacionais ao país.


— Estamos lutando pela soberania. É inacreditável que a família de um ex-presidente trabalhe contra os interesses do Brasil — disse.


O clima eleitoral dominou a cerimônia. O senador Humberto Costa enfatizou que Lula enfrentará em 2026 “a eleição mais difícil de sua vida”, diante de uma extrema-direita, segundo ele, ainda ativa e disposta a minar os valores democráticos.


Nova direção mira fortalecimento digital e aproximação com sociedade


Edinho Silva chega ao comando do PT com a missão de aprofundar o alinhamento entre o partido e o governo Lula, numa estratégia que mira ampliar apoio no Congresso e aproximar a sigla de movimentos sociais e setores da sociedade civil. Com histórico de forte ligação com o núcleo duro lulista — coordenou campanhas e ocupou a Secretaria de Comunicação Social no governo Dilma — ele representa a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), que manteve hegemonia nas instâncias internas.


Cerca de mil delegados debateram ao longo do fim de semana o novo regimento e as diretrizes políticas da sigla. Apesar de disputas internas, a correlação de forças com a CNB permanece estável, o que deve garantir continuidade da linha político-programática do partido.


Entre as prioridades da nova direção estão o fortalecimento da presença digital do PT e o trabalho para furar bolhas nas redes sociais, repetindo o êxito de campanhas recentes como a defesa da taxação dos super-ricos e a mobilização em torno da soberania nacional. A ideia é investir em uma linguagem mais popular, ampliar o alcance entre influenciadores e reforçar a militância na internet como ferramenta estratégica rumo a 2026.