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Durante entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos bilionários em mobilidade urbana e biocombustíveis em Minas Gerais, mas foi nas declarações políticas e no tema da segurança que os recados mais duros foram dados.
Lula reforçou apoio ao ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a quem vê como o nome mais preparado para disputar o governo mineiro em 2026. Segundo o presidente, uma eventual chapa Pacheco–Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, seria “imbatível”. Ele também não poupou críticas ao governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de “falso humilde” e acusou de se beneficiar da decisão judicial que suspendeu o pagamento da dívida mineira com a União, sem, segundo ele, entregar políticas de inclusão social efetivas.
Bolsonaro e crime organizado
O ponto mais sensível da entrevista veio quando Lula tratou da megaoperação deflagrada nesta semana contra o crime organizado, articulada entre a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo. O presidente afirmou que a ação busca atingir “o andar de cima” das estruturas criminosas.
Sem citar nomes, Lula deixou no ar que investigações podem alcançar figuras da direita.
“Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs agora, e está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. E nós não vamos dar trégua para o crime organizado”, disse Lula.
Questionado sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que costuma associar seu governo ao crime organizado, Lula reagiu:
“Nós vamos mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado nesse país. E o ex-presidente que tome cuidado.”
O petista ainda criticou tentativas de discutir anistia para investigados nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, afirmando que Bolsonaro deve “provar sua inocência” em relação às acusações de articulação de ataques e planos de violência contra autoridades.
Minas como centro da disputa
Além do embate nacional, a entrevista deixou claro que Minas Gerais será peça-chave no tabuleiro político de 2026. Lula fez questão de destacar a importância histórica e estratégica do estado, ao mesmo tempo, em que alinhou o governo federal com aliados locais para tentar enfraquecer a pré-candidatura de Zema à Presidência.
Em um só discurso, o presidente buscou consolidar a narrativa de que seu governo combate o crime organizado com mais firmeza do que gestões anteriores e, ao mesmo tempo, preparar terreno para derrotar adversários políticos em Minas e no cenário nacional.
