![]() |
Brasília – Após impor sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o governo dos Estados Unidos avalia estender a aplicação da Lei Magnitsky à esposa dele, Viviane Barci. A medida, segundo apuração, está sendo considerada por Washington como forma de impedir eventuais estratégias para contornar restrições já impostas ao magistrado.
Criada em 2012 durante o governo de Barack Obama, a Lei Magnitsky leva o nome do advogado russo Sergei Magnitsky, morto em 2009 após denunciar um esquema de corrupção envolvendo autoridades de seu país. Inicialmente voltada a punir os responsáveis por sua morte, a legislação foi ampliada em 2016 para permitir sanções contra qualquer pessoa envolvida em corrupção significativa ou abusos contra os direitos humanos.
As punições previstas incluem bloqueio de bens e contas nos EUA, cancelamento de vistos e proibição de entrada no território norte-americano. Para que sejam aplicadas, o governo americano deve apresentar provas consistentes das infrações.
No caso de Viviane Barci, autoridades norte-americanas reúnem informações para agir rapidamente caso o presidente Donald Trump considere haver elementos suficientes para sancioná-la. A suspeita é de que ela poderia administrar empresas e ativos que, devido às sanções, não podem ser operados diretamente por Moraes — o que configuraria, segundo essa interpretação, uma tentativa de burlar as restrições.
A medida também se insere em um contexto mais amplo de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Além das sanções políticas, a relação bilateral enfrenta atritos comerciais, como o chamado “tarifaço” norte-americano sobre produtos brasileiros, que já provoca reações do governo federal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negocia com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Besant, buscando minimizar os impactos e preparar um plano de contingenciamento.
Se confirmada, a inclusão de Viviane Barci na lista de sancionados representará uma escalada nas ações de Washington contra figuras ligadas ao ministro do STF e poderá repercutir diretamente nas relações entre os dois países.
