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Ministro defende anexação da Faixa de Gaza em meio a críticas internacionais e agravamento da crise humanitária

Palestinos carregam suprimentos de ajuda que entraram em Gaza através de Israel, em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza, em 27 de julho de 2025. — Foto: REUTERS/Dawoud Abu Alkas


O ministro da Segurança Nacional de Israel defendeu, neste domingo (3), que o país exerça soberania sobre a Faixa de Gaza — território palestino bombardeado desde outubro do ano passado. Conhecido por posições ultranacionalistas, o titular da pasta afirmou que Israel deveria anexar não apenas Gaza, mas também a Cisjordânia, o que, na prática, significaria o controle total das áreas palestinas ocupadas.


A declaração ocorre ao mesmo tempo em que cresce o número de países — entre eles Reino Unido, França, Canadá e Portugal — favoráveis ao reconhecimento pleno do Estado da Palestina. A expectativa é de que o tema ganhe impulso durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro. A tomada de posição dessas nações têm incomodado o governo israelense, que vê na iniciativa um movimento para pressionar o fim da guerra e avançar na criação de um Estado palestino independente como solução de longo prazo para o conflito.


As falas do ministro também foram condenadas por autoridades internacionais, que interpretam a defesa da expulsão de palestinos de seus territórios como um incentivo à limpeza étnica. A visita recente do chefe da pasta à Esplanada das Mesquitas — local sagrado para muçulmanos e judeus no centro histórico de Jerusalém — intensificou ainda mais as tensões na região, considerada de alta sensibilidade religiosa e geopolítica.


Enquanto declarações polêmicas circulam no plano político, a crise humanitária na Faixa de Gaza só se agrava. De acordo com o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), pelo menos 1.400 mortes já estariam relacionadas à fome no território. O governo local, no entanto, reconhece oficialmente mais de 150 vítimas. Na avaliação da ONU, a situação é consequência direta da restrição imposta por Israel à entrada de ajuda humanitária.


A agência acusa Israel de criar, ao lado dos Estados Unidos, uma fundação paralela para distribuição de alimentos, à margem do sistema tradicional coordenado pela ONU há décadas. Segundo o órgão, a nova estrutura não consegue atender a população de forma efetiva e tem dificultado o fornecimento de itens básicos como água, alimentos e medicamentos. A UNRWA também rejeita a alegação israelense de que boa parte dos suprimentos fornecidos pelas Nações Unidas era desviada pelo Hamas.


Israel, por sua vez, insiste que não é responsável pelo desabastecimento e aponta que os grupos armados palestinos utilizam ajuda internacional para fins militares. Enquanto o impasse político e diplomático segue sem resolução, milhares de famílias permanecem em situação crítica, dependendo de corredores humanitários instáveis para sobreviver.


Fontes: agências de notícias internacionais.