Ministro defende anexação da Faixa de Gaza em meio a críticas internacionais e agravamento da crise humanitária
O ministro da Segurança Nacional de Israel defendeu, neste domingo (3), que o país exerça soberania sobre a Faixa de Gaza — território palestino bombardeado desde outubro do ano passado. Conhecido por posições ultranacionalistas, o titular da pasta afirmou que Israel deveria anexar não apenas Gaza, mas também a Cisjordânia, o que, na prática, significaria o controle total das áreas palestinas ocupadas.
A declaração ocorre ao mesmo tempo em que cresce o número de países — entre eles Reino Unido, França, Canadá e Portugal — favoráveis ao reconhecimento pleno do Estado da Palestina. A expectativa é de que o tema ganhe impulso durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro. A tomada de posição dessas nações têm incomodado o governo israelense, que vê na iniciativa um movimento para pressionar o fim da guerra e avançar na criação de um Estado palestino independente como solução de longo prazo para o conflito.
As falas do ministro também foram condenadas por autoridades internacionais, que interpretam a defesa da expulsão de palestinos de seus territórios como um incentivo à limpeza étnica. A visita recente do chefe da pasta à Esplanada das Mesquitas — local sagrado para muçulmanos e judeus no centro histórico de Jerusalém — intensificou ainda mais as tensões na região, considerada de alta sensibilidade religiosa e geopolítica.
Enquanto declarações polêmicas circulam no plano político, a crise humanitária na Faixa de Gaza só se agrava. De acordo com o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), pelo menos 1.400 mortes já estariam relacionadas à fome no território. O governo local, no entanto, reconhece oficialmente mais de 150 vítimas. Na avaliação da ONU, a situação é consequência direta da restrição imposta por Israel à entrada de ajuda humanitária.
A agência acusa Israel de criar, ao lado dos Estados Unidos, uma fundação paralela para distribuição de alimentos, à margem do sistema tradicional coordenado pela ONU há décadas. Segundo o órgão, a nova estrutura não consegue atender a população de forma efetiva e tem dificultado o fornecimento de itens básicos como água, alimentos e medicamentos. A UNRWA também rejeita a alegação israelense de que boa parte dos suprimentos fornecidos pelas Nações Unidas era desviada pelo Hamas.
Israel, por sua vez, insiste que não é responsável pelo desabastecimento e aponta que os grupos armados palestinos utilizam ajuda internacional para fins militares. Enquanto o impasse político e diplomático segue sem resolução, milhares de famílias permanecem em situação crítica, dependendo de corredores humanitários instáveis para sobreviver.
Fontes: agências de notícias internacionais.
