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Porto de Paranaguá: Porta de Entrada de Esquema Bilionário de Combustíveis Adulterados

 Imagem aérea reprodução  do porto de Paranaguá no Paraná

 

Porto de Paranaguá vira porta de entrada em esquema bilionário de adulteração de combustíveis


O Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, que é um dos maiores do país e fundamental para a economia nacional, acabou sendo apontado como porta de entrada de um esquema bilionário de adulteração de combustíveis. As investigações da Operação Carbono Oculto revelaram que cargas de metanol importado chegavam ao terminal paranaense, mas não eram entregues aos destinatários indicados nas notas fiscais.


Em vez disso, o combustível era desviado clandestinamente com documentação falsa e seguia para postos e distribuidoras em vários estados, onde era usado na adulteração da gasolina. O produto, altamente inflamável e tóxico, chegava a representar até 50% da mistura em alguns casos, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite no máximo 0,5% de metanol.


Impactos para os consumidores


O esquema lesava diretamente a população de duas formas:

  • Fraude quantitativa: o consumidor pagava por um volume maior do que realmente recebia nas bombas.

  • Fraude qualitativa: o combustível adulterado não atendia às especificações técnicas, podendo causar danos aos veículos.


Alcance da fraude


As investigações identificaram adulterações em mais de 300 postos de combustíveis. Só em São Paulo, estima-se que cerca de 2.500 postos tenham sido impactados, o que equivale a quase 30% do mercado.


Além disso, empresários que venderam seus postos para integrantes do esquema acabaram sendo vítimas de outro tipo de fraude: não receberam o pagamento das transações e, ao cobrar os valores, sofreram ameaças de morte.


Estrutura criminosa


O desvio e a adulteração do metanol faziam parte de uma rede sofisticada de lavagem de dinheiro, ligada ao crime organizado, em especial ao PCC. Empresas de fachada, fundos de investimento e até fintechs eram utilizadas para movimentar recursos e dar aparência de legalidade ao negócio ilícito.


Prejuízo bilionário


Segundo estimativas das autoridades, entre 2020 e 2024, o esquema movimentou cerca de R$ 52 bilhões, com uma sonegação de impostos calculada em R$ 7,6 bilhões.



O caso mostra como o Paraná, por meio do Porto de Paranaguá, foi utilizado como ponto estratégico na entrada de cargas fraudulentas que abasteciam um mercado clandestino de combustíveis adulterados, com prejuízos gigantescos para consumidores, empresários e para os cofres públicos.

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