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Centrão evita anistia e aposta em redução de penas para enfraquecer ex-presidente, afirma Aldo Rebelo

Imagem captura de tela Aldo Rebelo
Centrão evita anistia e aposta em redução de penas para enfraquecer ex-presidente, afirma Aldo Rebelo



Ex-ministro e ex-presidente da Câmara diz em entrevista que grupo preferiu não pacificar o país para evitar que ex-presidente retornasse ao centro do jogo político; mudança beneficiaria vândalos de 8 de janeiro, mas manteria condenações.


BRASÍLIA – Em uma análise contundente dos bastidores do poder, o ex-ministro Aldo Rebelo afirmou que a base do governo, conhecida como Centrão, articulou a substituição de um projeto de anistia por outro de redução de penas com um objetivo central: evitar o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro ao cenário político eleitoral.


A declaração foi dada em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, nesta sexta-feira (19). Rebelo, que já comandou a Câmara dos Deputados e os ministérios da Defesa e do Esporte, definiu o momento como um que "não está para amadores" e detalhou o que chamou de "arranjo de atores relevantes" entre o Centrão, o Supremo Tribunal Federal (STF) e setores econômicos.


Conforme o ex-ministro, a anistia plena, que ele defende como "caminho da pacificação", foi descartada porque traria Bolsonaro de volta ao "jogo". A opção pela redução de penas, em sua avaliação, atende a uma estratégia do Centrão de "liberar o caminho" para outros protagonistas da oposição, como governadores de grandes estados, que vislumbram uma candidatura em 2026.


"Anistiar o Bolsonaro era trazê-lo para, novamente, o jogo. E isso o Centrão não queria. O Centrão queria liberar o caminho para todos os protagonistas: o governador de São Paulo, do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Goiás", afirmou Rebelo.


A Estratégia por Trás da Troca


Rebelo explicou a diferença crucial entre os dois instrumentos jurídicos: enquanto a anistia apaga o crime, como um "esquecimento" ou "perdão", a redução de pena mantém a condenação. Isso, na prática, impediria que Bolsonaro se beneficiasse de uma eventual absolvição política e recuperasse seus direitos políticos, mantendo-o à margem da disputa eleitoral de 2026.


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"Substituir a anistia, que seria uma espécie de esquecimento, por um outro mecanismo de redução da pena... Você não vai absorver o culpado da arruaça de 8 de janeiro. Você não vai absorver o ex-presidente Bolsonaro no seu julgamento pelo Supremo. Você vai reduzir as penas... mas não vai trazer de volta para a disputa eleitoral o ex-presidente Bolsonaro", detalhou.


O ex-ministro também citou que setores da oposição themselves usaram o argumento de que uma anistia poderia criar um precedente perigoso, incentivando atos de desordem no futuro com a expectativa de perdão.


Os Atores do Acordo


Aldo Rebelo foi além e citou os atores envolvidos no que enxerga como um acordo. Para ele, a escolha do deputado Paulinho da Força (PDT) como relator do tema não foi por acaso. Ele mencionou a "subserviência" do parlamentar ao STF, ligando-a ao fato de o ministro Alexandre de Moraes ter sido crucial para reverter uma condenação de Paulinho por corrupção.


"Os profissionais do Centrão perceberam essa situação e resolveram todos os problemas", disse, afirmando que a influência do Centrão "é inversamente proporcional à influência do ex-presidente Jair Bolsonaro". Quanto menor o espaço dele, maior o protagonismo do grupo.


Repercussão e Contexto


A fala de Aldo Rebelo joga luz sobre as negociações que têm ocorrido nos corredores do Congresso e deve gerar forte repercussão. Ela corrobora a tese de que a movimentação em torno dos processos do 8 de janeiro é menos sobre Justiça e mais sobre uma calculista engenharia política para redesenhar o tabuleiro eleitoral de 2026.


O tema, no entanto, promete aquecer o debate político nacional nos próximos dias, colocando sob holofote as reais intenções por trás das propostas que tramitam no Congresso.