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| Joesley Batista se reúne com Trump antes de elogio a Lula na ONU, destacando a influência da JBS no mercado e política dos EUA. |
Antes de Donald Trump surpreender ao elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso na Assembleia-Geral da ONU, o empresário brasileiro Joesley Batista, coproprietário da JBS, esteve em uma reunião privada com o Presidente norte-americano. Fontes afirmam que o encontro ajudou a abrir caminho para que Trump adotasse um tom mais favorável ao líder brasileiro.
A conversa ocorreu em meio a tensões comerciais. Em julho, a Casa Branca impôs tarifas de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, incluindo carne bovina, o que pressionou a cadeia de suprimentos de gigantes alimentícias como a JBS e sua subsidiária Pilgrim’s Pride. Durante a reunião, Joesley teria alertado Trump de que os impostos estavam encarecendo a carne para os consumidores americanos, em um momento em que o preço do hambúrguer e de outros cortes já era alvo de críticas internas.
O gesto de Trump na ONU – quando disse ter tido “uma química excelente” com Lula e revelou planos de se encontrar com o presidente brasileiro “na próxima semana” – veio após meses de atritos. A Casa Branca havia classificado como “caça às bruxas” as investigações no Brasil contra Jair Bolsonaro, aliado político de Trump, condenado recentemente por conspirar para se manter no poder após a derrota eleitoral de 2022.
Expansão da JBS nos EUA
A JBS é hoje uma potência no mercado americano, com 90 fábricas em 30 estados e cerca de 70 mil funcionários. Em junho, a companhia passou a ter ações listadas na Bolsa de Nova York, aumentando sua exposição às políticas comerciais dos EUA. A Pilgrim’s Pride, maior produtora de frango do país e controlada pela JBS, doou US$ 5 milhões ao comitê inaugural de Trump em 2017, reforçando o histórico de contribuições bipartidárias da empresa.
Segundo analistas, a reunião com Trump também tratou da expansão da JBS no mercado norte-americano, incluindo novos investimentos e aumento da capacidade de produção, em um cenário de forte demanda por proteína animal.
Relações políticas e histórico no Brasil
Joesley e o irmão Wesley Batista já foram próximos de Lula em seus mandatos anteriores. Empréstimos do BNDES ajudaram a transformar a JBS na maior processadora de carne do mundo. Posteriormente, os executivos admitiram ter subornado centenas de políticos durante a Operação Lava Jato, episódio que marcou a história da empresa e da política brasileira. A JBS afirma que, atualmente, todas as interações com autoridades seguem seu código de conduta.
Pressão empresarial por tarifas
Outros líderes empresariais brasileiros também buscam reduzir barreiras comerciais. O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, relatou recentemente ter se reunido com autoridades do governo Trump para discutir tarifas sobre produtos da fabricante de aviões, obtendo isenção para peças aeronáuticas, embora uma taxa de 10% ainda incida sobre outras mercadorias.
Nem a Casa Branca nem o governo brasileiro divulgaram detalhes sobre um eventual encontro entre Trump e Lula, mas o presidente brasileiro declarou em Nova York que está “disposto a colocar tudo na mesa” em uma futura reunião. A aproximação, considerada improvável até poucas semanas atrás, ganhou força após a conversa reservada entre Trump e Joesley Batista – um movimento que evidencia o peso da JBS nas relações comerciais e políticas entre Brasil e Estados Unidos.
