Ministro da Saúde cancela participação na ONU após EUA restringirem seu raio de movimento a 5 quarteirões.
![]() |
| O ministro foi enfático ao diferenciar uma viagem pessoal de uma missão de Estado. "As restrições não são feitas a mim, quanto pessoa. São restrições ao ministro da Saúde do Brasil", afirmou |
📌 PR Mídia News - Leia também
- Carregando notícias...
Em protesto, Alexandre Padilha desiste de participar de assembleias da ONU e OPAS após governo dos EUA impor severas limitações à sua movimentação no país. Ele afirmou que as condições impedem a participação plena do Brasil em fóruns fundamentais para a saúde pública.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cancelou sua viagem para os Estados Unidos após o governo local impor uma série de restrições à sua circulação no país. Em declarações à imprensa, Padilha classificou as condições como "inaceitáveis", argumentando que elas impedem o exercício pleno de suas funções como representante do Brasil em eventos internacionais cruciais.
Apesar de ter recebido o visto, a autorização concedida ao ministro e sua comitiva limitava seus deslocamentos a um raio de apenas cinco quarteirões entre o hotel, a sede da ONU e representações brasileiras em Nova York. Essas restrições, no entanto, inviabilizariam uma agenda muito mais ampla e estratégica.
Agenda estratégica cancelada
Padilha detalhou o prejuízo diplomático e sanitário. A limitação impediria sua participação em dois eventos fundamentais:
Assembleia Geral da OPAS em Washington:
O Brasil, como o segundo maior país da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e detentor do maior sistema público de saúde das Américas, tem papel de liderança no fórum. Padilha planejava anunciar um reforço financeiro brasileiro ao fundo rotatório da OPAS, um mecanismo que barateia a compra de vacinas e medicamentos para o câncer não apenas para o Brasil, mas para todo o continente.
Reuniões bilaterais e multilaterais: O ministro preside atualmente os BRICS na área da saúde e a coalizão de saúde do G20, além de exercer a presidência pró-tempore do Mercosul. A agenda incluía encontros com outros ministros, visitas a hospitais e instituições de pesquisa parceiras, e participação em um evento da Fundação Rockefeller para o lançamento da COP30. Esses encontros, muitos marcados para acontecer fora da sede da ONU, são vitais para atrair investimentos e fechar parcerias para o Sistema Único de Saúde (SUS).
"Inaceitável para o Brasil"
O ministro foi enfático ao diferenciar uma viagem pessoal de uma missão de Estado. "As restrições não são feitas a mim, quanto pessoa. São restrições ao ministro da Saúde do Brasil", afirmou.
"É inaceitável as condições, porque eu sou ministro da Saúde do Brasil. Quando vou para um evento como esse, tenho que ter plena possibilidade de participar do conjunto das atividades das quais nós somos convidados, atividades importantes para o Brasil", declarou Padilha.
Ele também fez um contraste entre a postura do Brasil e a dos Estados Unidos em organismos multilaterais: "Os Estados Unidos acabaram de anunciar a retirada de recursos da OPAS, já retirou recursos da OMS, faz uma briga permanente contra esses dois organismos. Na prática, o que está sendo colocado para o ministro da Saúde do Brasil é impedir a participação na Assembleia Geral da OPAS".
Repercussão Diplomática
O caso levanta questões sobre a relação bilateral e o respeito aos representantes de nações soberanas em fóruns internacionais. Como membro fundador da ONU e defensor da solução pacífica de controvérsias e da igualdade soberana das nações, o Brasil vê as restrições como um empecilho à sua plena participação diplomática, que é universal e abrange as principais áreas de atuação das Nações Unidas: Paz e Segurança, Desenvolvimento Sustentável e Direitos Humanos.
Outras baixas na comitiva
Padilha não foi o único ministro a cancelar a viagem. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também optou por permanecer no Brasil para acompanhar a possível votação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que pode ser levada ao plenário na Câmara dos Deputados na próxima semana
