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Europa une forças para competir com a Starlink: Leonardo, Airbus e Thales criam gigante de satélites com o Projeto Bromo

Europa une forças para competir com a Starlink: Leonardo, Airbus e Thales criam gigante de satélites com o Projeto Bromo
Europa une forças para competir com a Starlink: Leonardo, Airbus e Thales criam gigante de satélites com o Projeto Bromo


Em um movimento estratégico que pode redefinir o futuro das comunicações via satélite, as empresas aeroespaciais europeias Leonardo, Airbus e Thales chegaram a um acordo histórico para unir seus negócios de satélites, segundo informações da Reuters. A nova iniciativa, batizada de “Projeto Bromo”, visa fortalecer a presença europeia no setor espacial e desafiar o domínio das gigantes dos Estados Unidos e da China — em especial a Starlink, de Elon Musk, que atualmente lidera o mercado global.


O projeto surge como uma resposta direta à crescente dependência tecnológica da Europa em relação a sistemas estrangeiros. Com o avanço acelerado das mega constelações de satélites comerciais, o continente europeu vai garantir sua soberania digital e autonomia estratégica em comunicações seguras, militares e civis.


Segundo a Reuters, o acordo-quadro permitirá às três companhias combinar seus ativos e capacidades industriais, criando uma nova fabricante de satélites de grande porte. Diferente de aquisições anteriores, a ideia é integrar recursos complementares das empresas, fortalecendo a cadeia produtiva e otimizando custos de lançamento e operação.


A concorrência estelar: Starlink domina o espaço


Enquanto o “Projeto Bromo” começa a tomar forma, a concorrente norte-americana Starlink, da SpaceX, continua ampliando sua vantagem. No último fim de semana, a empresa de Elon Musk lançou o 10.000º satélite em órbita, um marco impressionante que consolida sua liderança. Segundo o astrônomo Jonathan MacDowell, cerca de 8.680 satélites permanecem operacionais, oferecendo internet de alta velocidade para milhões de usuários em diversas regiões do planeta.


O avanço da Starlink foi possível graças ao aval da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, que em 2021 aprovou o plano de Musk de implantar pelo menos 12.000 satélites até 2026. A empresa não apenas transformou o acesso à internet em áreas remotas, mas também demonstrou relevância geopolítica, especialmente durante a guerra na Ucrânia, onde cerca de 50 mil terminais Starlink mantêm infraestruturas essenciais — como ferrovias, escolas e hospitais — conectadas mesmo durante apagões.

Além disso, a principal operadora de telecomunicações ucraniana firmou, neste ano, um acordo para testar o serviço direto de satélite para celulares, ampliando o alcance da tecnologia.

A resposta europeia: autonomia e inovação

A criação do Projeto Bromo não é o único movimento europeu no setor. Outras iniciativas buscam reduzir a dependência externa. A Eutelsat, por exemplo, recebeu recentemente um aporte de € 1,35 bilhão do governo francês, conforme revelou o jornal Le Monde. O objetivo é reforçar sua capacidade de competir com empresas privadas e desenvolver novos modelos de conectividade espacial.

A Agência Espacial Europeia (ESA) também está investindo pesado em inovação. Em parceria com a Thales, está desenvolvendo o Projeto HydRON (High Throughput Optical and Digital Network), que propõe uma megaconstelação de satélites interconectados por feixes de laser, capazes de transmitir dados a velocidades de até 1 terabyte por segundo. Essa rede híbrida entre o espaço e a Terra promete revolucionar o acesso à internet, especialmente em zonas rurais e regiões isoladas.

Um novo capítulo na corrida espacial

A formação do Projeto Bromo representa mais do que uma fusão de empresas — trata-se de um marco geopolítico e tecnológico para a Europa. Com o domínio norte-americano consolidado pela Starlink e a rápida expansão chinesa no segmento de satélites de baixa órbita, o bloco europeu busca se posicionar como terceira força global em comunicações orbitais.


Se confirmada, essa união entre Leonardo, Airbus e Thales pode redefinir o equilíbrio de poder no espaço — e dar à Europa uma chance real de competir com Musk e seus milhares de satélites que já circundam o planeta.