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| Presidente Lula e o Papa Leão XIV durante audiência no Vaticano, discutindo fome e desigualdade global. |
Lula tem primeira audiência com o Papa Leão XIV no Vaticano e reforça agenda global contra a fome
Em visita oficial à Itália nesta segunda-feira (13), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se pela primeira vez com Sua Santidade o Papa Leão XIV, no Vaticano. A audiência privada durou aproximadamente 30 minutos e tratou de temas humanitários com foco em desigualdade social, fome, conflitos internacionais e proteção dos mais vulneráveis.
Segundo nota divulgada pela Presidência da República, Lula afirmou que a conversa “foi construtiva e reforçou o compromisso comum com a promoção da dignidade humana”. O presidente reiterou ao Pontífice o convite para que participe da COP-30, que será realizada em Belém, no Pará, em novembro. Em comunicado oficial, a Santa Sé informou que o Papa Leão XIV agradeceu o convite, mas explicou que não poderá comparecer devido aos compromissos do Jubileu de 2025. Ainda assim, expressou desejo de realizar uma viagem ao Brasil “em momento oportuno”.
Defesa da paz e combate à fome
O encontro ocorre num momento em que o Vaticano tem intensificado posicionamentos sobre temas humanitários. Em discursos recentes, o Papa Leão XIV tem alertado para o crescimento das tensões internacionais e pedido cooperação entre líderes mundiais para enfrentar crises globais. Lula e o Pontífice convergiram especialmente no tema da fome.
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Após a audiência, o presidente participou da abertura do Fórum Mundial de Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — órgão dirigido por Qu Dongyu, que estava presente na sessão de abertura. Lula afirmou que “colocar os pobres no orçamento” deve ser uma obrigação de Estados democráticos:
“Não basta produzir alimentos, é preciso garantir acesso à alimentação como direito humano”, declarou.
Ainda durante sua fala, Lula mencionou que o Brasil voltou a sair do mapa da fome da FAO em 2024 e defendeu uma reforma da arquitetura financeira internacional para reduzir desigualdades.
Relações diplomáticas e contexto político
O encontro com o Papa também tem relevância diplomática. Lula mantém interlocução próxima com líderes religiosos desde seu primeiro mandato. Antes de Leão XIV, o presidente já havia se reunido com João Paulo II, Bento XVI e Francisco, e defende que o diálogo entre Estado e instituições religiosas pode contribuir para políticas sociais de combate à pobreza.
Em Brasília, a viagem presidencial ocorre em meio a negociações complexas entre o governo e o Congresso Nacional, presidido pelo senador Rodrigo Pacheco, e a Câmara dos Deputados, liderada por Arthur Lira. Paralelamente, Lula terá ainda de indicar o futuro ministro que ocupará a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a saída de Luiz Roberto Barroso, atual presidente da Corte.
Aliança Global contra a Fome
Durante o discurso na FAO, Lula também informou que mais de 100 países e diversas instituições multilaterais aderiram à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pelo Brasil durante a presidência do país no G20. A coalizão busca integrar políticas internacionais de transferência de renda, segurança alimentar e apoio a nações vulneráveis.
Segundo o presidente, três projetos iniciais já estão em articulação:
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Ações de combate à desnutrição infantil em Gaza;
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Programa de segurança alimentar escolar no Benim;
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Apoio a políticas sociais no Haiti.
Clima aproxima Brasil e Vaticano
Outro ponto central da conversa entre Lula e o Papa foi a pauta climática. O Pontífice publicou recentemente a exortação Laudate Deum, em que criticou o negacionismo ambiental e cobrou responsabilidade de governos e empresas na preservação da vida no planeta.
O Brasil, que sediará a COP-30 em 2025, busca ampliar alianças na agenda climática. O tema também está no centro do trabalho da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que tem fortalecido diálogo com representantes internacionais e líderes religiosos.
A primeira audiência entre Lula e o Papa Leão XIV reforça uma aproximação estratégica entre Brasil e Vaticano, com ênfase em pautas sociais e ambientais. Ainda que religiosa, a reunião teve claro conteúdo diplomático e geopolítico, consolidando Lula como voz ativa no debate internacional sobre combate à fome.
