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| Marco Rubio (Foto AP/Evan Vucci) |
O senador norte-americano Marco Rubio voltou a criticar publicamente a aproximação diplomática e comercial entre o Brasil e a China. Em declarações recentes, o republicano afirmou que a cooperação crescente entre os dois países pode representar “um risco estratégico” para os interesses dos Estados Unidos na América Latina.
Tensões entre Washington e Pequim
Rubio, conhecido por sua postura conservadora e por integrar o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, afirmou que o governo americano precisa “reavaliar suas alianças na região”, sugerindo que o Brasil tem se tornado excessivamente dependente de investimentos e tecnologia chinesa.
Segundo ele, “a China não faz parcerias, ela cria dependência”. A fala ocorre em meio à expansão dos acordos bilaterais entre Brasília e Pequim nos setores de energia, infraestrutura, tecnologia e agricultura.
Brasil mantém posição de equilíbrio diplomático
Por outro lado, o governo brasileiro tem defendido uma política externa independente e multipolar. O Itamaraty reforça que a parceria com a China não significa alinhamento ideológico, mas uma estratégia pragmática voltada para o desenvolvimento econômico.
A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil, responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras, especialmente de soja, minério de ferro e petróleo.
Contexto geopolítico e influência na América Latina
As declarações de Rubio refletem a crescente preocupação de Washington com a influência chinesa na América Latina. Nos últimos anos, Pequim tem ampliado sua presença econômica em países como Argentina, Peru, Chile e o próprio Brasil — por meio de financiamentos, obras de infraestrutura e acordos tecnológicos.
Especialistas apontam que os Estados Unidos veem essa aproximação como um desafio direto à sua tradicional influência sobre o continente. O discurso de Rubio busca reforçar a narrativa de que a China estaria utilizando o comércio e a tecnologia como instrumentos de poder político.
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Parceria estratégica Brasil-China
Desde a visita do presidente Lula a Pequim, em 2023, os dois países vêm fortalecendo laços diplomáticos e econômicos. Entre os acordos assinados estão projetos conjuntos em energias renováveis, 5G, inteligência artificial e transição verde, além de iniciativas para reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais bilaterais.
O aprofundamento dessa parceria é visto pelo governo brasileiro como um passo fundamental para ampliar o protagonismo do país no cenário global e fortalecer a integração com o bloco dos BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
As críticas de Marco Rubio reacendem o debate sobre a posição do Brasil na nova ordem mundial. Enquanto Washington tenta conter o avanço de Pequim, o Brasil aposta em uma diplomacia mais autônoma, buscando equilíbrio entre os interesses econômicos e estratégicos de diferentes potências.
