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Antes da ofensiva militar, EUA tentaram saída negociada para Maduro, diz Washington Post

EUA tentaram negociar saída de Maduro antes da ação militar. Empresário Joesley Batista atuou como interlocutor informal, diz Washington Post.

 


Meses antes da operação militar dos Estados Unidos que terminou com a prisão de Nicolás Maduro, o governo do então presidente Donald Trump tentou resolver a crise venezuelana por meio de negociações diplomáticas. A informação foi revelada pelo jornal americano The Washington Post, que teve acesso a relatos de bastidores e documentos ligados às conversas.


De acordo com a reportagem, ao longo de 2025 a Casa Branca buscou alternativas para promover uma transição política sem confronto armado. Diversos atores internacionais foram envolvidos nas tentativas de mediação, entre eles representantes do Vaticano e autoridades de países como Rússia, Turquia e Qatar. A proposta central era oferecer garantias de segurança e a possibilidade de exílio a Maduro e à sua família, caso ele aceitasse deixar o cargo.


Apesar das articulações, as conversas oficiais não avançaram. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, Maduro recusou as propostas apresentadas nos meses finais de 2025, mesmo diante do agravamento das pressões diplomáticas e econômicas.


Empresário brasileiro entrou nas negociações de forma informal


A apuração do Washington Post mostra ainda que, paralelamente às vias diplomáticas tradicionais, houve também tentativas informais de diálogo. No fim de novembro de 2025, o empresário brasileiro Joesley Batista, um dos controladores do grupo J&F e da JBS, viajou a Caracas sem ocupar cargo oficial no governo americano.


Batista teria se reunido com Maduro e com a primeira-dama venezuelana levando uma proposta que incluía a renúncia do presidente e a possibilidade de ele deixar o país rumo ao exílio, com a Turquia aparecendo como um dos destinos cogitados. Embora não atuasse como representante formal dos Estados Unidos, suas conversas foram relatadas a integrantes da administração Trump e consideradas nas discussões internas sobre os próximos passos em relação à Venezuela.


Propostas envolviam interesses estratégicos


Segundo a reportagem, as ideias levadas a Caracas iam além da simples saída de Maduro do poder. Elas também incluíam temas de interesse estratégico para Washington, como a reaproximação da Venezuela com países do Ocidente, a revisão de alianças políticas e questões ligadas ao setor de petróleo e a minerais considerados estratégicos.


Mesmo assim, as iniciativas não surtiram efeito. Maduro e seu círculo mais próximo rejeitaram as ofertas, mantendo a postura de resistência às pressões externas.

Do fracasso diplomático à ação militar

Com o insucesso das negociações formais e informais, a Casa Branca passou a avaliar que não havia mais espaço para uma solução pacífica. De acordo com o Washington Post, esse entendimento foi decisivo para a mudança de estratégia dos Estados Unidos.

Em janeiro de 2026, após meses de tentativas frustradas de acordo, os EUA lançaram a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro. A ofensiva marcou o fim de uma fase de negociações discretas e o início de uma nova etapa na crise venezuelana, agora conduzida pela força e não mais pela diplomacia.