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Áudios levantam suspeita de esquema de arrecadação ilegal na Sanepar ligado à campanha de Ratinho Jr.

Áudios levantam suspeitas de arrecadação irregular na Sanepar e ligação com dívidas da campanha de Ratinho Jr. em 2022.Áudios levantam suspeitas de arrecadação irregular na Sanepar e ligação com dívidas da campanha de Ratinho Jr. em 2022.

 


Áudios divulgados recentemente pelo Diário de Maringá reacenderam o debate político no Paraná ao revelarem indícios de um possível esquema de arrecadação irregular de recursos dentro da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). As gravações sugerem a existência de pedidos de contribuição financeira a funcionários da estatal, que teriam como objetivo auxiliar no pagamento de dívidas da campanha eleitoral de 2022 do governador Ratinho Jr. (PSD).


As conversas são atribuídas a Rafael Malaguido, ex-gerente da Sanepar, e a Jaime Antônio de Camargo Ferreira, ex-chefe de gabinete do secretário estadual das Cidades, Guto Silva. O conteúdo dos áudios passou a circular em redes sociais e veículos de imprensa, provocando reações de parlamentares da oposição e manifestações oficiais do governo estadual.


Gravações citam valor próximo ao déficit oficial da campanha


Em um dos trechos divulgados, há referência a um montante de cerca de R$ 4 milhões destinado ao pagamento de dívidas da campanha de reeleição de Ratinho Jr. O valor mencionado chama atenção por se aproximar do déficit registrado oficialmente na prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


De acordo com os dados disponíveis no sistema DivulgaCandContas, a campanha do governador declarou aproximadamente R$ 11 milhões em receitas e cerca de R$ 14 milhões em despesas, resultando em um saldo negativo de cerca de R$ 3,4 milhões. A proximidade entre os números oficiais e o valor citado nos áudios reforçou os questionamentos levantados por adversários políticos.


Suposta arrecadação entre funcionários da estatal


As gravações indicariam que pedidos de arrecadação estariam sendo feitos internamente, com valores menores, na faixa de R$ 15 mil a R$ 25 mil, supostamente solicitados a funcionários comissionados. Em um dos áudios que circulam nas redes, há falas interpretadas como pressão hierárquica, sugerindo influência política dentro da estrutura da empresa pública.


Também são mencionados nomes de figuras ligadas à gestão estadual, o que ampliou o alcance político do caso e motivou pedidos de apuração mais aprofundada.


Repercussão política e acionamento de órgãos de controle


Diante da divulgação do material, deputados estaduais da oposição, como Requião Filho e Arilson Chiorato, protocolaram pedidos para que o caso seja investigado por órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O argumento é de que, caso confirmadas, as práticas poderiam configurar irregularidades eleitorais e administrativas envolvendo uma empresa de economia mista.


Os parlamentares defendem que a Sanepar, por ter ações negociadas no mercado, também estaria sujeita a regras rígidas de governança e transparência, o que justificaria a atuação da CVM.


Posicionamento da Sanepar e do governo do Paraná


Em nota, a Sanepar afirmou que os áudios são antigos e que os envolvidos já teriam sido desligados da companhia por justa causa. A empresa sustenta ainda que o episódio teria sido alvo de apuração anterior pelo Ministério Público, sem desdobramentos recentes.


O governo do Paraná também minimizou o impacto das gravações, classificando o caso como uma “pauta antiga” que estaria sendo retomada com viés político. Até o momento, não há informação oficial sobre a abertura de novas investigações formais com base nos áudios divulgados recentemente.


Caso segue no centro do debate público

Mesmo com as negativas do governo e da Sanepar, o conteúdo das gravações continua gerando repercussão política e jurídica. A coincidência entre os valores citados nos áudios e o déficit declarado na campanha eleitoral mantém o tema em evidência e reforça a pressão por esclarecimentos.


O caso segue em acompanhamento por parlamentares, imprensa e órgãos de fiscalização, enquanto novas informações podem definir se o episódio resultará em investigações oficiais ou permanecerá restrito ao embate político no Paraná.